Caio Martins, do Dubbi e Instaviagem: voando alto

Imagine comprar uma viagem sem saber o destino. Foi com essa proposta que Caio Martins lançou o Instaviagem, uma plataforma que vende experiências baseadas no perfil de cada um para incentivar as pessoas a conhecer novos lugares. O empreendedor de 26 anos já comandava, ao lado dos sócios David Andrade e Marcos Arata, o Dubbi, uma rede social para a troca de informações e dicas sobre destinos que recebe mais de 150 mil visitas a cada mês. “Uma pesquisa apontou que as pessoas demoram em média 105 dias para planejar uma viagem de duas semanas. Ou seja, elas acabam viajando para o mesmo lugar ou deixando de ir”, diz Caio. “Criamos o Dubbi para ajudar com informações sobre lugares diferentes ou sobre como planejar um roteiro, mas percebemos que não era suficiente. Então criamos o Instaviagem para mudar a maneira como as pessoas consomem o turismo”, diz Caio.

Desde que o Instaviagem foi lançado oficialmente, em julho do ano passado, o número de viajantes triplica a cada bimestre. O destino só é revelado dois dias antes da data e é escolhido de acordo com um perfil do usuário traçado com base em um questionário. A taxa de aprovação é de 98%. Hoje eles operam em cerca de 60 destinos brasileiros. São lugares como São Luiz do Paraitinga, cidade no interior de São Paulo famosa pelo Carnaval, mas pouco visitada no resto do ano. “São cidades turísticas que têm muita cultura e não são aproveitadas em seu potencial”, diz Caio.

Quando cursava Direito na Universidade de São Paulo, Caio passou seis meses na Itália estudando sobre inovação e empreendedorismo dentro de uma incubadora de empresas e outros seis no Brasil. Desde então, trocou a vida de advogado pela profissão empreendedor. A seguir, ele conta o aprendeu nesse caminho.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Começar pelo mais simples

“A nossa primeira ideia era fazer uma agência de experiências surpresa, mas não sabíamos por onde começar. Resolvemos começar com uma rede social de turismo. Uma parte do empreendedorismo é ter pessoas acreditando em você. E tem coisas que, por serem tão malucas, você precisa ter uma certa história para que as pessoas acreditem. No momento em que lançamos o Instaviagem, dois anos depois do Dubbi, as pessoas viram que a gente tinha know-how, já trabalhava com isso. Às vezes é muito difícil ir direto na inovação que você quer. É melhor ir no mais simples para depois chegar no seu objetivo. Senão você fica muito na ideia”.

Menos certezas, mais adaptação

“Quando você começa uma empresa, tem muitas certezas. No meio, você tem só dúvidas, nunca vai com toda certeza. Você fala: eu tenho um feeling… Fica muito mais cauteloso para falar porque você vai se surpreendendo a todo momento. Nesse período, muita coisa que eu pensava aconteceu diferente. Eu achava que nosso maior público ia ser o mochileiro, um aventureiro viajando sozinho. E no final não. Trabalhamos com muitos casais, mulheres viajando sozinhas e famílias. O público que quis esse produto era outro. Eu não consigo mandar no mercado, então tenho que me adaptar. A partir disso adaptei minha comunicação para falar com esse público”.

Soluções rápidas para os mesmos erros

“Quando estudei empreendedorismo, fiquei um tempo acompanhando as startups. Ali foi um momento em que conseguia ver o que as pessoas estavam errando. Mas o pior é que, quando é sua vez, você percebe que comete os mesmos erros. É fácil ver o que pode melhorar do lado de fora. Mas quando você está dentro, tem tanta coisa para fazer que começa a cometer aqueles erros que acontecem com todo mundo na primeira vez que empreende: demora muito para lançar, não estudou melhor o problema, não entendeu qual a necessidade do mercado, não tem uma equipe ainda muito bem estruturada… O bom de ter metodologias e técnicas é que você lembra daquilo que você viu e conserta muito rápido, otimizando os resultados. Não que isso seja o sucesso, mas minimiza os seus riscos”.

Perfeccionismo demais atrapalha

“Quando criamos o Dubbi, demoramos 7 meses para lançar nossa rede social. Levamos uns 3 meses depois que o produto estava pronto. Você começa a arranjar problema. Está faltando isso, aquilo, aquele botão está feio. Quer lançar tudo perfeitinho porque tem que dar certo, mas não é bem assim. No começo é difícil porque você tem um apego pela sua criação. Quando você monta um negócio pela primeira vez, tem medo de lançar, medo da repercussão, de um monte de coisa. Quando já está lá no barco, fala: vamos lançar. Com o Instaviagem, demoramos dois dias ao invés de 7 meses”.

Sem medo de tentar

“Decidimos lançar a ideia do pacote surpresa para ver como as pessoas reagiam. Era bem um protótipo. No dia seguinte, uma pessoa comprou. A gente não tinha o produto feito, era só para ver se a ideia tinha respaldo. Pensamos: será que devolvemos o dinheiro ou tentamos fazer a viagem? Vamos tentar. As pessoas continuaram comprando, mesmo sem saber nada sobre aquilo, e em 15 dias tínhamos vendido 20 pacotes. Aí decidimos parar, concentrar nessas viagens e formatar o produto de verdade para lançar oficialmente. A gente já tinha visto que as pessoas queriam, sabia como fazer e ali começou a crescer muito rápido”.

O meio é quase o começo

“Ter estudado empreendedorismo facilitou na hora de aplicar os conhecimentos, mas só entendi direito as metodologias na hora de fazer. Existe um tempo de maturação e aprendizado. A gente empreendeu sabendo muita coisa, mas vão surgindo novos desafios que você não esperava. Que você estudou, mas na teoria. Então você vai aprendendo muito no meio do caminho”.

Trabalho a muitas mãos

“Eu não gosto muito quando o empreendedor sai na revista como um self-made man. Porque ninguém consegue fazer nada sozinho. No mínimo você teve uma equipe e pessoas que acreditaram em você. Sem isso você não consegue fazer nada, não pula de patamar. Tem que ter clientes que confiam em você, parceiros que confiam em você, mentores para te ajudar e todo um ecossistema que te auxilie”.

Planejamento financeiro

“A gente empreendeu com mais paixão do que planejamento. Estávamos menos preocupados em ganhar dinheiro do que em fazer algo legal. O problema é que, depois de um tempo, começa a vir a pressão de tornar o negócio sustentável. Quem apoiou a gente no começo foi por acreditar no propósito, de mudar o modo como as pessoas viajam, mas não tínhamos um modelo de negócio. Depois de um ano e meio a gente começou a ver como seria toda a estratégia de monetização. O Instaviagem veio com a ideia de avançar com a nossa estratégia junto com a sustentabilidade do nosso negócio. Hoje, se fosse montar outro negócio, talvez não deixaria tão para lá essa questão. Depois existe uma pressão tão grande que eu pensaria antes”.

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