Juliana Barsi, da Bela Rua: construindo cidades melhores

Fala galera,

Foi não andando pelas ruas do bairro onde cresceu que a arquiteta Juliana Barsi percebeu a importância de explorar as vias das cidades. Criada em um condomínio fechado no bairro nobre do Morumbi, na zona sul de São Paulo, Juliana só via uma coisa pela janela do ônibus no caminho para a escola: muros, muitos muros. “Eu tinha tudo no condomínio onde morava, mas ao mesmo tempo era angustiante. Morria de medo de sair do ônibus, o bairro era inteiro fechado. Acho que isso me incentivou a ter um olhar crítico a esse tipo de construção murada e a perceber que ela não é benéfica para ninguém”, conta.

Esse olhar crítico se transformou na Bela Rua, uma ONG paulistana fundada em 2014 que propõe melhorar a relação das pessoas com a cidade. “Nossa premissa é entender o que as pessoas querem antes de projetar qualquer coisa. Trazer as pessoas para a construção da cidade”, explica.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

O estalo definitivo foi quando Juliana, na época funcionária de um escritório de arquitetura, trabalhou em um projeto de urbanização de uma favela em São Paulo. Ao conversar com moradores do local para explicar o projeto, percebia que nem sempre ele era bem recebido. “A gente projeta as coisas a partir de um senso estético que nós pensamos ser ideal. Mas, às vezes, o projeto pode vir de uma boa intenção e a coisa não funciona”, diz Juliana. “Veja Brasília, por exemplo. É linda, mas, dividida em setores, acaba virando uma cidade sem encontros”.

O primeiro passo, então, seria escutar as pessoas. Mas não era tão simples. Em uma das primeiras ações da Bela Rua, uma pequena mesa de café foi montada em uma rua fechada próxima à Avenida Paulista. A ideia era basicamente conversar com os passantes e perguntar o que eles mudariam na via se pudessem fazer qualquer coisa. “A maioria respondia ‘não mudaria nada’”, ri Juliana. “Em geral, as pessoas não sabem o que querem. Especialmente em São Paulo, não existe muita referência, vivência ou memória de espaço público. É diferente do Rio, por exemplo, onde você tem a praia. É uma cidade construída para o carro”, explica.

“Começamos a perceber que fazer a pesquisa desse jeito não iria adiantar”, lembra Juliana. Era preciso engajar o público e tentar extrair algo a mais dessas interações. A solução foi dobrar, ou melhor, triplicar, a aposta. Foi assim que surgiu o ‘Rua ao Cubo’, o principal projeto do movimento. Ele consiste, literalmente, em um cubo gigante instalado em um espaço público.

“A ideia do cubo é trazer um elemento inusitado ao local e procurar se envolver com as pessoas que convivem naquele espaço”, explica Juliana. A princípio, o cubo sempre conta com alguma programação cultural pré-definida: exibições de filmes ao ar livre, shows e pequenas exposições. Contudo, o ambiente não é controlado. As próprias atividades podem ser propostas pelos passantes, assim como o modo do usufruto do espaço. “Mas sem se esquecer que ele é uma ferramenta de pesquisa. A gente busca inspirar, conviver e depois usar os dados coletados na pesquisa para realizar algo mais efetivo, estrutural”, explica Juliana.

Mas, às vezes, o caminho é o fim. “O cubo democratiza os espaços, ressignifica os lugares. Muitas vezes a gente não chega a um projeto final, mas o mais bonito é a memória do que a gente fez durante o período em que estávamos lá. Ver as pessoas mudando seus conceitos, perdendo o medo dos espaços públicos. É demais”, diz Juliana.

beijos,

QUER SER AVISADO SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS POSTS?