Lucas Corvacho, da Retalhar: nada se perde, tudo se transforma

Fala galera,

Biólogo marinho por formação, empresário de logística por profissão, é bem provável que Lucas Corvacho, 30, fosse químico por vocação. Isso porque a essência do seu negócio, a Retalhar, segue à risca uma máxima dessa ciência, preconizada há mais de dois séculos pelo químico francês Antoine Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

É exatamente o que Corvacho faz na Retalhar. Seu negócio lá é receber resíduos da indústria têxtil – mais especificamente uniformes velhos que não serão mais usados pelas empresas – e transformá-los, de modo que não sejam perdidos em aterros ou incinerados. No que eles serão transformados é o menos importante. “Meu papel é conectar o usuário do uniforme com uma solução sustentável”, explica Lucas. “As soluções estão aí, elas já existem, o que falta são as conexões”.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Quer um exemplo? Uma grande empresa quer se livrar de algumas toneladas de uniformes, mas não sabe ao certo o que fazer com eles. Ao consultar a Retalhar, ela ganha uma série de opções. Os resíduos têxteis podem ser reciclados e reinseridos em setores industriais como a construção civil, podem ser descaracterizados e transformados em cobertores populares para moradores em situação de rua, podem virar produtos para brindes, como mochilas e sacolas, ou simplesmente ser descaracterizados para reuso sem a logomarca da empresa em questão.

“Os tempos dessas empresas e das soluções são diferentes”, explica Lucas. “Uma grande empresa, por exemplo, costuma fazer pagamentos em 60 dias. Só que a cooperativa de costureiras que transformará aquele uniforme em brindes não pode esperar tanto. É aí que nós entramos. Somos o conector. Não precisamos oferecer as soluções em si porque elas já estão à disposição”.

A ideia para o negócio surgiu em 2012, quando Lucas, de volta de uma temporada na Austrália, onde trabalhava em um laboratório como biólogo marinho, foi trabalhar com o pai, ele próprio o dono de uma pequena confecção de uniformes. “Fui ajudar na área operacional, mas na verdade eu era a pessoa errada. Meu mindset sempre foi voltado para o meio ambiente, então sugeri criar um setor de sustentabilidade”, lembra.

O que exatamente faria esse setor ninguém sabia bem. Mas Lucas foi descobrindo. Primeiro, tentou transformar os retalhos que a empresa do pai gerava em sacolas. “Levei 50 kg de tecido e falei que iria comprar as sacolas que elas fizessem, porque já havia percebido que, se não comprasse, estaria apenas transferindo o problema, já que elas não conseguiriam escoar o produto”, explica.

Depois, levou os retalhos para uma desfiadeira, uma empresa que desfia tecidos têxteis e os transforma em TNT (tecido não-têxtil), fibras compactadas que não utilizam tear. “O cara pega de graça no meu pai, transforma em outro produto, e vende”, diz Lucas. A solução para seu pai estava ali. Para um cliente amigo, parte dos uniformes foram desfiados e outra parte transformada em brindes. “Todo o mundo estava feliz: a cooperativa, o cliente, o desfiador e eu. Não estava enxergando um ponto sem nó”, diz Lucas.

Ao tentar converter a ideia em uma ONG, porém, vieram dificuldades. “O que tínhamos na mão era um negócio mesmo, não uma ONG. Fui absorvendo isso aos poucos e tive que revisitar alguns conceitos, porque sempre fui um cara meio contra o mercado”, lembra.

Desde 2014, a Retalhar estima que já tenha gerido mais de 30 toneladas de resíduos de uniformes, poupado cerca de 230 metros cúbicos em aterros, evitado a emissão de 452 toneladas de CO2 decorrentes de incinerações e gerado cerca de R$ 117 mil aos grupos produtivos envolvidos na transformação das peças, geralmente pequenas cooperativas de costureiras formadas por mulheres.

Em pouco mais de três anos, Lucas já atende gigantes como TAM, Leroy Merlin e FedEx, entre outras grandes empresas. De fato, tudo se transforma.

beijos,

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