Maurício Curi e os caminhos da transformação

Depois de 18 anos trabalhando como executivo em grandes empresas, Maurício Curi resolveu mudar sua vida. A experiência com inovação se transformou na Educartis, um empreendimento que trabalhava com inteligência coletiva. A empresa cresceu tanto que, quando viu, tinha se tornado executivo outra vez. Não hesitou em buscar uma nova maneira de se reinventar. Há cinco anos, Maurício mentora jovens empreendedores que querem gerar impacto e também pessoas que, como ele, buscaram uma transformação ao descobrir que a carreira que tinham não fazia mais sentido. “Ajudo as pessoas a refletirem sobre elas mesmas e se conhecerem mais para que elas possam levar esse conhecimento para seus negócios e gerar o resultado que querem”, diz. Criador da co•mo•ver, plataforma que surgiu como expressão desse impulso transformador, mentor da Red Bull Amaphiko e embaixador do TED, Maurício conta os caminhos da inovação com significado.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

O poder da história

“Contar histórias tem um valor muito forte hoje. É uma alternativa genuína aos processos de marketing que a gente conhece. Quando a história sai de dentro de você, de uma forma legal, tem uma força muito grande de transformação. De quem está ouvindo e de você mesmo, que também está escutando a história que está contando. Eu digo que toda vez que você ouve sua própria história tem chances de descobrir coisas novas no passado, coisas que não tinha visto. Temos que exercitar a genuinidade e a forma de contar histórias”.

Encarando os erros

“Uma das coisas que eu aprendi é que a gente faz besteira o tempo todo. São os erros que vão produzir os próximos acertos. É reconhecê-los, acolhê-los e ir para a próxima, com o intuito de ser melhor e performar de uma forma que não te leve a isso. Quando acordei e vi que estava sentado numa cadeira de executivo, não podia culpar ninguém porque eu criei aquilo. Mas tive a oportunidade de falar: quero parar porque não é aqui que eu posso chegar. E aí um ciclo se fecha e outro se abre. Você é rotulado como um cara maluco se conseguiu o sucesso e resolve começar tudo de novo. Mas na hora em que você vê que não é aquilo que você quer, não tem outra solução que não começar outro ciclo. A vida é muito longa, dá para viver várias vidas”.

A busca pela essência

“O processo de mentoria ajuda as pessoas a achar onde está a fagulha que disparou a vontade de fazer aquilo. As startups e projetos mais genuínos têm essa fagulha. E essa busca dá muita clareza ao que você quer fazer. Porque o empreendimento acaba sendo uma expressão do que você é. Quem empreende sem se expressar na empresa está perdendo tempo. As grandes empresas estão sofrendo porque muitas delas perderam a essência e o foco virou ganhar dinheiro, remunerar acionistas, crescer… Se o empreendedor novo souber de onde sai essa fagulha e concentrar o esforço para expressar isso no empreendimento, certamente está fazendo algo para os tempos de hoje”.

Surfando na onda

“Eu sou formado em planejamento, fui para Berkeley, mas já rasguei todos os meus livros porque nunca consegui realizar o que eu planejei exatamente. Ainda bem. Por isso estou aqui. Aprendi que a vida é muito mais um surf do que um plano: você pega a prancha, entra no mar, se conecta e de repente está surfando. Senão você faz um esforço gigante, cria uma expectativa enorme e normalmente o que acontece é outra coisa. É só fazer um histórico da sua vida e é a mesma coisa. A gente tem que aprender a viver no fluxo e isso não significa que a gente não vai almejar coisas e tentar alcançá-las. Por isso que acho que a energia do fluxo é muito maior e mais legal do que a energia do planejamento e controle”.

Reconexão pessoal

“A gente está vivendo uma era de busca por propósito. Eu não acredito em propósito. De novo a gente está se distraindo em mais uma moda de jargão. Para mim, a vida é um presente e a única forma de retribuir é viver a vida sendo você. E essa é a dificuldade: quem eu sou, como me comporto, como gostaria de estar. Não tem como fugir de se conhecer. O erro mais grave é estar distante de você mesmo. É o maior obstáculo que existe e ele é destrutivo. É legal ver que já existem novas gerações que não estão mais afim de viver isso. Pessoas mais velhas também. O que era obstáculo começa a virar energia de transformação. Já vejo isso nos empreendedores”.

Revolução social

“Estamos num a sociedade vazia de si mesmo. A gente se limita a 120 caracteres, hashtag, não passa da página 2 e aí você não consegue chegar em você mesmo. Não dá para viver uma vida vazia, tem que estar preenchida. Então esse é um problema que todas as gerações estão enfrentando. A boa notícia é que começa a haver um esforço para resgatar a humanidade como humanidade. Por alguma razão ela foi se individualizando. Agora essa grande revolução está começando a acontecer. A enxergar o outro, se enxergar, a entender que tem que convergir como coletivo. A grande revolução que a gente está vivendo não é industrial, tecnológica, é uma revolução social mesmo. Como ser humano e como indivíduo”.

As pessoas em primeiro lugar

“É muito importante se preocupar com as pessoas de verdade. Começando por quem compõe a empresa, seja acionista, funcionário, colaborador ou parceiro. É um discurso velho, mas a prática é nova. Tem que priorizar as pessoas como seres integrais, não a pessoa do trabalho. Ela está trabalhando, mas não é trabalhando. Observar as pessoas nesse lugar é a única forma de sobreviver hoje, na minha opinião. As empresas que não tiverem isso vão morrer. Até porque se você tem um espaço de felicidade no trabalho, você fica muito mais feliz. E pessoas mais felizes trabalham melhor. Então há ganhos de produtividade, lucratividade e alegria”.

O dinheiro não comanda

“A gente está saindo de uma fase em que o dinheiro comanda o valor da humanidade. Eu vejo muito empreendedores indo buscar dinheiro no mercado de capitais, que é um mercado que acredita que o dinheiro comanda o mundo. É uma coisa normal, todo mundo precisa de dinheiro para empreender. Mas você tem que ir medindo que conexão de valor esse dinheiro de traz, e não de comando. Você pode não ter maioria de capital na companhia e a empresa continuar sendo uma reflexão da sua essência”.

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