Cláudio Pinheiro, da Hoobox: tecnologia que dá passos

Fala galera,

A Hoobox é uma startup movida por sorrisos. Literalmente. A empresa de robótica fundada pelos irmãos cearenses Paulo e Cláudio Pinheiro desenvolveu um sistema de análise de expressões faciais. O software criado pela dupla permite controlar uma cadeira de rodas através dos movimentos do rosto, em um projeto batizado de Wheelie. Isso significa que um sorriso pode te levar para a frente, um levantar de sobrancelhas fazer uma curva e um beijinho ajudar a frear. A expressão que corresponde a cada comando é definida pelo próprio usuário.

A técnica foi desenvolvida por Paulo em sua pesquisa de pós-doutorado na Unicamp. Ele então foi convidado para ir à Suécia analisar onde pilotos de caça olhavam durante uma missão. Foi quando percebeu que poderia usar a tecnologia que criara para um bem maior. “No aeroporto, ele viu uma mulher tetraplégica usando expressões faciais para se comunicar com a filha. Foi ali o estalo. Por que aquela mulher não poderia usar suas expressões para controlar a própria cadeira de rodas?”, diz Cláudio. “Hoje em dia a mobilidade dessas pessoas são familiares e cuidadores. Nenhuma delas traz autonomia ao cadeirante”.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

“Chegamos até a pensar em desenvolver uma cadeira autônoma, que fosse de um lugar a outro sozinha por comando de voz”, diz Cláudio. “Mas aí percebemos que as pessoas querem controlar, não ser controladas. Pedir para uma máquina te levar até algum lugar é a mesma coisa que pedir para um cuidador”.

Em pouco menos de dois anos, a Hoobox foi acelerada pela Startup Farm e firmou parcerias com o hospital Albert Einstein e a gigante americana Johnson & Johnson. Mas nem sempre foi fácil. “No começo, as pessoas e o próprio ecossistema dos negócios não acreditavam que a tecnologia iria funcionar”, conta Cláudio. “Tivemos que ser agressivos, bater na porta dessas empresas e mostrar que a coisa funcionava. É daí que vem nosso nome: Health Out Of the Box. É uma coisa meio fora da caixa mesmo”.

No caso dos irmãos Pinheiro, a ‘caixa’ era a universidade. Engenheiros, ambos sempre atuaram na área da pesquisa acadêmica. “O pessoal de universidade tem uma cabeça muito inventiva, mas muitas vezes seus projetos não se soltam”, diz Cláudio. “Queremos tirar essas pesquisas da universidade e transformá-las em produtos. Usar essas habilidades no empreendedorismo”.

“Não vejo um americano vivendo sem Amazon, sem Uber, e essas empresas não nasceram gigantes”, diz Cláudio. “Quando eu estava na faculdade estagiei em algumas grandes empresas e percebia que elas precisavam de processos mais ágeis, focados. Enfim, precisavam de inovação. O que esse mercado de startups faz hoje é enfrentar problemas difíceis com soluções mais fáceis e econômicas. Isso muda o mundo”.

Atualmente em fase de testes, a cadeira controlada por movimentos faciais já possui clientes finais nos EUA, onde a Hoobox tem uma espécie de sede em Houston e trabalha ativamente com a rede de veteranos de guerra americanos. O país, inclusive, é o mercado prioritário para a startup no momento. “Os EUA possuem cerca de 600 mil pessoas sem o movimento de braços e pernas, enquanto no Brasil são cerca de 125 mil”, explica Cláudio.

Mas engana-se quem pensa que o negócio da Hoobox ficará limitado às cadeiras de rodas. Os irmãos empreendedores já vislumbram diversas outras aplicações para a tecnologia. “Nossa grande sacada é o algoritmo. Não criamos uma tecnologia para controlar cadeiras, mas sim uma que prevê comportamentos humanos”, explica o engenheiro. “Podemos identificar a dor em pacientes de UTI, avaliar o cansaço em motoristas profissionais ou identificar padrões de nervosismo em alfândegas, por exemplo. A gente pensa que cada pessoa se comporta de um jeito, mas os padrões são iguais”, diz Cláudio.

beijos,