Fernando Assad, do Programa Vivenda: mudanças de dentro para fora

Fala galera,

O administrador Fernando Assad é um homem que se importa com a beleza interior. Para ele, mais vale um banheiro bem azulejado do que uma fachada bonitinha. E foi pensando nessas prioridades que Fernando fundou, em 2013, o Programa Vivenda, uma empresa social que busca melhorar a saúde e a qualidade de vida da população de baixa renda através da realização de reformas habitacionais.

O negócio não poderia funcionar de maneira mais simples. O cliente vai a uma das lojas do Programa – hoje são duas, uma no Jardim Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, e outra em São Miguel Paulista, na zona leste –, escolhe um dos quatro kits de reforma, que contemplam banheiro, cozinha, área de serviço ou sala e quarto, e o modelo de financiamento da obra, que pode ser parcelada em até 30 vezes a juros bem abaixo do mercado.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

As entregas são feitas de maneira rápida, em até quinze dias, sob a supervisão de um arquiteto e com preço fixado previamente. “A reforma na Vivenda é planejada, o preço é fechado e nós assumimos todos os riscos, supervisionando todas as etapas do processo”, diz Fernando. “Se eu te digo que a obra vai custar R$ 3 mil, é isso que você vai pagar. Se ela acaba custando R$ 5 mil, vou continuar te cobrando aqueles R$ 3 mil. A ideia é que a pessoa não tenha dor de cabeça para reformar”. As obras geralmente são pequenas, como a impermeabilização de um banheiro, a aplicação de pisos na cozinha ou a abertura de janelas na sala, por exemplo.

A simplicidade das reformas, contudo, é inversamente proporcional ao impacto social que provocam nas famílias que contratam os serviços da Vivenda, garante Fernando. “Existem as coisas óbvias, como autoestima, bem-estar, praticidade. Mas, às vezes, o impacto vem de coisas que não prevíamos”, conta o empreendedor. “Uma das primeiras obras que fizemos foi em uma cozinha. Pela primeira vez aquela família pôde colocar uma mesa lá. Aquela mesa significava relação familiar, pois eles puderam fazer refeições em família. Significava educação, porque o filho não precisava mais estudar na cama”.

“A casa é a fatia de baixo do bolo”, explica Fernando. “O que nossos ancestrais precisavam para sobreviver? Abrigo. É a necessidade mais básica. Morar bem é a fundação para podermos pensar em desenvolvimento. Claro que educação e saúde, por exemplo, são coisas fundamentais. Mas se você não morar bem todo o resto vai ser impactado negativamente. A habitação é uma cola muito importante”.

Desde 2013, o Programa Vivenda já realizou mais de 700 reformas, impactando cerca de 2500 pessoas. No ano passado, o faturamento da empresa foi da ordem de 1,5 milhão. “Nossa proposta é ser um business. As pessoas não querem as coisas de graça, elas têm orgulho de falar que conseguiram reformar a própria casa e isso é bonito”, explica. “Claro que existem famílias que realmente não possuem condições. Para essas, conseguimos fazer doações com o lucro das outras obras”.

Parece óbvio oferecer planejamento, materiais, mão de obra e crédito para moradores de favelas e bairros pobres, mas o mercado não estava olhando para essas oportunidades. “Não havia nenhuma empresa fazendo reformas estruturadas nesses lugares. Era o mundo da informalidade”, explica Fernando, que teve a ideia para o negócio após participar de um projeto de urbanização realizado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) em uma favela na zona leste de São Paulo, em 2009.

“Asfaltavam as ruas, faziam obras de saneamento e construíam praças”, lembra o administrador. “Mas eu entrava na casa das pessoas e pensava: por que elas continuam tão ruins? O governo estava colocando caminhões de dinheiro ali, mas as pessoas continuavam vivendo do mesmo jeito. Você percebe que é uma pergunta de uma pessoa ignorante, que não fazia ideia de como funcionava um programa de urbanização”. Mas foi a partir desse questionamento que o Vivenda começou a tomar forma, quatro anos depois, após a realização de muita pesquisa e de ser até mesmo tema da dissertação de mestrado de Fernando na FEA-USP. Tudo isso buscando responder a pergunta que ele se fazia. Por que as casas continuavam ruins? “Não tive insight nenhum na verdade. Acho que fui beneficiado pela minha ignorância”, diz Fernando.

beijos,

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