Vitor Belota, do Litro de Luz e Civi-co: uma luz no fim do túnel

Fala galera,

Vitor Belota quer tatuar uma metáfora. O desenho de um bonsai, em uma parte do corpo ainda não definida. “A semente do bonsai é igualzinha à das árvores maiores”, explica. “Ele só não cresce porque o pote onde foi plantado o limita. Existem muitas pessoas-bonsai por aí, que não conseguem quebrar os potes sozinhas, e que só precisam de uma oportunidade para alcançar seu maior potencial”.

O administrador de 28 anos, natural de Brasília, adora usar metáforas, frases de efeito e citações para explicar o que faz da vida. Mas não é só um homem de palavras bonitas, muito pelo contrário. Suas ações é que costumam defini-lo melhor. Vitor fundou em 2013 a Litro de Luz, uma ONG que tem como missão levar luz para comunidades sem acesso à energia elétrica ou sem infraestrutura de iluminação pública. A tecnologia utilizada pela Litro consiste em fabricar lâmpadas de baixo custo utilizando garrafas pet, enchendo-as com água e alvejante para que a luz solar incida sobre o líquido e ilumine o ambiente.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Além disso, a organização especializou-se na instalação de postes de PVC de baixo custo com placas solares capazes de armazenar até 32 horas de energia, acendendo lâmpadas de led dentro de garrafas. O projeto já está presente nas cinco regiões do país e estima-se que já impactou mais de 6 mil pessoas. “O maior motivo do Litro de Luz ter dado certo é por que ele faz algo que ninguém fazia”, diz Vitor. “Ninguém trabalhava com iluminação pública no terceiro setor, o que é impressionante. Não reinventamos a roda nem nada”.

A ideia para o projeto veio quando Vitor realizou um intercâmbio para o Quênia, onde atuava como professor em comunidades carentes. “Eu queria fazer algo de útil, não simplesmente continuar trabalhando para deixar o meu chefe mais rico. A iluminação pública não era exatamente uma paixão minha”, lembra. “Como todo tipo de empreendedorismo, o da área social também se orienta por oportunidades. Ou ela se apresenta, ou você identifica as necessidades não atendidas. No meu caso, o problema se apresentou. Vi o quanto era difícil dar aula em uma sala escura ou chegar em casa e não poder estudar por falta de iluminação. Mas depois que o projeto ganhou maturidade e começou a caminhar bem, vi que não queria passar o tempo inteiro ali também”.

“Certa vez o Litro ganhou um prêmio na Inglaterra e uma das juízas do evento perguntou para mim: ‘Vitor, quando você vai parar de instalar postes e maximizar seu impacto?’ É claro que para parar de instalar postes é necessário que você já os tenha instalado antes na sua vida. Mas a questão é que você não pode cair no comodismo de não expandir seu impacto se você tem a oportunidade de fazê-lo”, conta o empreendedor.

Dito e feito, Vitor se afastou um pouco do dia a dia do Litro de Luz, embora permaneça na presidência do Conselho da instituição. “Eu sempre gostei de inspirar as pessoas a seguirem uma trajetória de empreendedorismo social, de causar impacto”, diz ele, que hoje persegue essa paixão atuando como gerente de comunidade do Civi-co, um espaço de inovação inaugurado no final do ano passado que reúne negócios e organizações sociais em um moderno prédio de 5 andares no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Hoje, já trabalham por lá 44 organizações, como a aceleradora Instituto Quintessa, a plataforma de inovação em sustentabilidade Sustainable Brands e a entidade de combate à corrupção Transparência Internacional.

“Eu me sinto muito confortável nesse ambiente de comunicar, conectar pessoas, fomentar esse ecossistema de impacto social. E isso está fazendo bem para mim. Conheço umas 5 ou 6 pessoas que querem mudar o mundo por dia, gente que não fica só em casa reclamando. Isso te faz levar uma vida mais otimista”, diz Vitor.

“É claro que não acredito que minha geração vai resolver todos os problemas sociais do mundo, mas a gente precisa caminhar nesse sentido”, pondera. “Afinal, para que serve uma utopia? Você caminha dez passos e ela se afasta dez passos. Você nunca a alcança. No final, a utopia serve apenas para te manter sempre caminhando”.

beijos

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