Leonardo Albuquerque e Rafael Marcelino, da Easynvest: investimento na internet

Sentado em uma cadeira de praia, vestindo camisa florida e óculos escuros, Leonardo Albuquerque dá cinco dicas para aproveitar o verão e viajar melhor. Parece a descrição de um vídeo de turismo, mas é o canal da corretora Easynvest. Ao invés de sugestões sobre como arrumar as malas, o assunto aqui é planejamento e investimento. Desde 2016, a empresa aposta no YouTube para desmistificar esse mercado e provar que qualquer um pode entender de finanças. Afinal, quando se trata de dinheiro, ganhar a confiança das pessoas e atrair novos investidores é um dos maiores desafios.

A estratégia parece ter funcionado. O canal da Easynvest no YouTube tem mais de 200 mil inscritos e é responsável por captar 20% dos novos clientes da corretora. Nos últimos dois anos, os vídeos que tratam de maneiras despojada e bem-humorada assuntos como tesouro direto, Letra de Crédito Imobiliário e Certificado de Depósito Interbancário já somaram 9 milhões de visualizações.

À frente da estratégia de comunicação estão Rafael Marcelino e Leonardo Albuquerque – que também é o rosto nos vídeos da corretora. A seguir, eles contam como a Easynvest saiu na frente e se transformou em um dos canais mais acessados na área de finanças pessoais.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Olhando o potencial

“Quando se trata de dinheiro, as pessoas estão acostumadas com as grandes instituições, com a poupança. Elas ficam um pouco desconfiadas em colocar o dinheiro em outro lugar. O canal veio com o papel de trazer essa confiança. E também serve para os clientes e para os investidores mais experientes que querem informações. Não sei se foi uma coisa tão planejada a entrada no YouTube. Começou com um webinar, bem quadrado, e fomos vendo que isso deu resultado. Hoje nossos concorrentes enxergaram esse potencial na comunicação, mas saímos na frente e somos precursores”.

Identificação com o público

“A comunicação foi parte de um movimento maior da corretora, que hoje é 100% digital. Ela já estava inserida no meio digital e a pergunta foi como a gente falaria com o nosso cliente em uma linguagem acessível. Nos vídeos você não vê uma pessoa de terno e gravata falando ‘economês’. Tentamos falar com o público normal e isso ajudou muito a corretora a crescer dentro do YouTube. Quando você está de terno e gravata, parece que está um patamar acima e não pode conversar. A empresa quer mostrar que todos podem fazer isso, então a gente usa uma linguagem muito leve. A parceria que fizemos com o canal de humor Embrulha Pra Viagem foi um dos nossos maiores sucessos. As pessoas se identificam, compartilham e isso traz um resultado muito positivo”.

Mudança na cultura da empresa

“O canal data de 2007, mas ainda não existia uma preocupação com esse tipo de conteúdo. Em 2016 a gente acreditou que tinha chegado a hora: a internet pedia esse conteúdo e a empresa estava em um momento de mostrar isso para os clientes. A cultura demorou para ser construída com os funcionários. Primeiro apostamos em influenciadores para depois começar a treinar gente, comprar equipamento e despertar pessoas na empresa que possam ficar à frente da câmera e falar. Hoje acreditamos que nossos profissionais conseguem transformar o conteúdo em uma boa entrega”.

Tentativa e erro

“Foram muitos testes, muitos erros, muito acertos. Fomos aprendendo com parcerias. O maior aprendizado foi quando começamos a abrir a câmera para os lives. Quando demos a oportunidade ao cliente de perguntar em tempo real, conseguimos criar um contato com as pessoas para entender o que elas queriam. A grande questão é trazer as dúvidas que todo mundo tem quando vai investir. Entendendo essas dúvidas, a gente conseguiu adequar nosso conteúdo e nossa linguagem. Conforme a equipe foi crescendo, com cabeças de fora trazendo mais ideias, a gente foi se adaptando para uma linguagem mais informal”.

Cabeça de fora

“Às vezes você está tão dentro de um assunto que precisa dar dois passos para trás. As perguntas que chegam são até bem anteriores ao investimento em si. E isso é normal porque a educação financeira no Brasil é um assunto pouquíssimo tratado. O que parece óbvio para mim não parece óbvio para os outros. Essa mesclagem é o nosso diferencial”.

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