Lucas Torres, do Nave à Vela: ensinando a inovar desde cedo

Fala galera,

O objetivo de Lucas Torres é hackear o maior número de escolas possível. Calma, ninguém falou em invadir redes. Lucas é o cofundador da startup Nave à Vela, um projeto que usa tecnologia para transformar o jeito de aprender. Nada muito sofisticado, pelo contrário. O ponto de partida é um laboratório montado na escola onde se pode construir desde peças simples, como um jogo de tabuleiro ou um instrumento musical, até aparelhos eletrônicos um pouco mais complexos. A meta, seja qual for a invenção, é implantar a cultura de inovação entre os alunos, ou a cultura maker, como o pessoal do Nave à Vela gosta de falar. “Entendemos que os desafios maiores do mundo atual têm a ver com pessoas, não com tecnologia. Por isso queremos ajudar a formar alunos com visão inovadora”, diz Lucas.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Os projetos não se resumem a montar o laboratório, mas a envolver professores de diversas disciplinas para que criem projetos e possibilitem aos alunos aprender fazendo. “Procuramos sempre ligar o que está sendo feito com o conteúdo das aulas. Em uma das escolas, as crianças estavam aprendendo sobre diferentes culturas. Enriquecemos esse conhecimento construindo instrumentos musicais diversos e, no final, criamos uma banda usando a música para entender essas culturas”, conta Lucas. Em 4 anos do projeto, foram 6 mil alunos em mais de 20 escolas. O crescimento exigiu uma equipe também maior. No início, era Lucas e mais 5 pessoas. Hoje, são 30 profissionais em diversas áreas, de design a pedagogia, que costumam acompanhar a escola por ao menos 5 anos até que a nova cultura seja de fato adotada.

A história do Nave à Vela tem muito a ver com a trajetória de seu CEO. Formado em engenharia mecatrônica e mestrando em educação, Lucas sempre teve um quê de Professor Pardal, o personagem inventor de Walt Disney. “Desde pequeno, queria construir coisas e não achava espaço para isso”, conta. Na adolescência, foi pedir trabalho em uma assistência técnica de eletrônicos em sua cidade, Borborema, no interior de São Paulo, mas saiu de lá frustrado quando recebeu do dono um enorme manual sobre sistemas elétricos. “Eu queria pôr a mão na massa”, lembra. Lucas achou que resolveria o problema cursando engenharia, mas tudo era bem mais teórico do que ele imaginava. “A gente sai da faculdade sem ter experiências práticas, sem aprender a lidar com problemas reais”.

Solucionar questões do dia a dia é justamente o que o Nave à Vela vem propondo para os alunos e escolas que contratam seus projetos. Na Escola Viva, em São Paulo, por exemplo, levou a turma do ensino médio a pensar em uma maneira de ajudar os idosos de um asilo que visitaram. Para melhorar a comunicação entre os moradores do lugar, os alunos criaram um jogo da memória em que todos os participantes contavam um pouco de suas vidas, reviviam bons momentos e trocavam histórias. O jogo em si era algo simples e foi criado com um programa de computador e um tanto de imaginação, mas rendeu muita conversa e despertou a interação que faltava. “A ideia é incentivar o aluno a criar algo significativo dentro de seu contexto. A tecnologia é apenas uma ferramenta.” Boa, Lucas!

beijos

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