Marcos Leta, dos sucos do bem: pronto para crescer

Marcos Leta, o fundador da marca de bebidas do bem, falou com a gente diretamente de um retiro em Marbella, na Espanha. São 10 dias de ciclismo e alimentação natural por meio de sucos, caldos e chás. “Faço isso todo ano, há 4 anos”, diz. Segundo ele, essa parada não tem nada a ver com férias, apesar da paisagem em torno indicar que sim. “Eu gosto de estar no meio de gente na hora de realizar, mas preciso desse tempo para ter insights, para refletir e criar”.

No momento, essa reflexão é mais do que necessária. Há dois anos, a empresa foi vendida para a Ambev, a maior fabricante de bebidas do mundo, e o número de pontos de venda dobrou de lá pra cá – com expectativa de aumentar quase dez vezes até 2021. “No início, ninguém entendia porque nosso suco custava mais caro e comparava com as bebidas que estavam no mercado, que só tinham 30% de suco, então era difícil conseguir espaço”, conta. Unir-se à Ambev possibilitou chegar onde a do bem não tinha espaço ou alcance – e também um maior investimento em tecnologia para novos produtos. Portanto, é hora de aproveitar. Aqui, Marcos conta um pouco do que aprendeu nesses nove anos e do que planeja diante das possibilidades.

Fotos: Reserva/Thays Bittar

Esteja preparado para mudanças

“Sempre digo que não adianta ter uma boa marca, um bom produto e bom design se não houver planejamento e execução. Quando a do bem chegou no mercado, ninguém entendia porque o suco integral era bem mais caro que os néctares [bebida adoçada e com 30% de suco] que estavam nas prateleiras. Foi assim entre 2009 e 2012, mas eu sabia que o mercado iria virar. Então começou no Brasil uma onda de comida saudável, de digital influencers falando em detox e de um monte de publicações para quem buscava mais saúde. Percebemos que os supermercados em que a gente estava passaram a vender muito mais e ficamos abaixo apenas dos sucos da Del Valle. E aí nos preparamos para expandir contratando uma equipe comercial muito boa, nos organizamos para atender essa demanda. A gente viu que ia mudar – e se preparou.”

Encontre sua linguagem

“As pessoas usam muito nosso caso para falar de storytelling, mas eu não venho de marketing e nem conhecia esses termos. O que eu sabia, quando criei a do bem, é que não queria um produto pasteurizado e muito menos uma comunicação pasteurizada. Sempre fui chato e detalhista com isso. As embalagens dos sucos no mercado eram horríveis, o atendimento telefônico era feito por uma máquina! Minha inspiração era o Marconi, que preparava os sucos no BB Lanches do Leblon. A comunicação tinha que ser tão informal quanto em uma casa de sucos carioca. Aí, procurei alguém que entendesse essa linguagem para criar as embalagens e até hoje temos um grande cuidado com a comunicação.”

Não esqueça suas origens

“Os três primeiros escritórios foram em Ipanema mas, quando a empresa cresceu, tivemos que mudar para Botafogo por conta do preço dos aluguéis. Agora, estamos de volta ao bairro onde tudo começou com a Casa do bem. É uma casa aberta ao público onde acontecem encontros, palestras e aulas de yoga toda semana. Quem estiver passando pode entrar e experimentar um suco. No segundo andar fica nosso escritório. De vez em quando, posso descer e conversar com clientes. É o momento 2.0 de relacionamento. Como somos uma indústria, no dia a dia não temos contato com nosso consumidor, então a casa também tem valor por que nos aproxima do público.”

Aproveite ao máximo a tecnologia

“Nós fizemos o primeiro suco integral sem conservante apenas aproveitando uma tecnologia já disponível, não inventamos nada. Os sucos adoçados que estavam no mercado tinham conservantes, mas era desnecessário. A máquina de embalagem que eles usavam não deixava a bebida entrar em contato com o oxigênio, não tinha porque botar conservante! A gente se deu conta disso e colocou suco puro lá dentro. Agora, novamente, usamos tecnologia para fazer os chás com stévia, mas sem aquele sabor amargo no final. E smoothies com grãos ancestrais. Então, a gente está sempre olhando para onde a tecnologia pode nos levar.”

Escolha suas causas

“Tudo o que a do bem faz é dentro da nossa ‘plataforma de saudabilidade’. Todo o desenvolvimento de novos produtos ou serviços está ligado à saúde, seja com os sucos e comida natural, com as aulas de yoga na casa do bem. Ou mesmo nos projetos em que a empresa se conecta. Queremos nos ligar nosso nome a essa busca por saúde, que norteou nossos produtos desde o princípio.”

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