Carolina Aranha, da Impactix: impulso para negócios sociais

Fala galera,

Em um fim de tarde, Carolina Aranha estava indo embora da empresa em que trabalhava, em uma avenida movimentada de São Paulo, e pegou um engarrafamento que não a deixou sair da garagem do prédio por horas. Foi o tempo suficiente para que repensasse a vida e tomasse duas decisões. Primeiro, deixaria a carreira de executiva em multinacionais, onde havia chegado a altos postos, para encontrar um trabalho que tivesse mais impacto no mundo e mais sentido para ela. E, claro, deixaria o carro de lado e compraria uma bicicleta. Foi mais ou menos assim que nasceu a Impactix, uma consultoria que apóia negócios sociais para que ganhem força e possam melhorar áreas como educação, meio ambiente, saúde, entre outras causas.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Carolina é uma daquelas garotas-prodígio. Antes dos 35 anos, já liderava uma unidade de negócios na gigante Microsoft, estudou negócios em Berkeley e na Universidade da Califórnia – e ainda foi bolsista de um programa da Universidade de Stanford. Lá, por quatro meses observou o ecossistema do Vale do Silício, onde muitas empresas investem em negócios sociais. E trouxe muito dessa observação para o seu trabalho na Impactix, que é bem amplo. “Há várias frentes de trabalho.

Em uma delas, eu uno investidores que querem fazer a diferença na sociedade a empresas, fundações ou instituições que tenham uma atuação social”, diz Carolina. A ideia, na verdade, só veio depois de um período sabático – que incluiu a participação em um grupo de grafite que coloria áreas deterioradas da cidade -, e do contato com outras maneiras de pensar. “Eu precisava ampliar minha maneira de ver o mundo e sair do mundo corporativo por um tempo foi essencial”.

Em seu trabalho junto aos family offices, escritórios que administram grandes fortunas familiares, ela dá consultoria para que invistam em ações que melhorem a vida das pessoas ou o meio ambiente. Por exemplo, montar um fundo de investimentos com essa finalidade ou conectar essa família a startups ou ONGs que irão receber o dinheiro, sempre com o acompanhamento da Impactix no desenrolar do processo. O importante não é só investir, mas fazer com que o objetivo social seja alcançado.

No momento, uma das ações da consultoria é uma força-tarefa junto com o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) para conseguir que mais administradores de grandes fortunas apóiem negócios de impacto sócio-ambiental. “Nos Estados Unidos é muito comum que se invista nessas áreas, mas no Brasil ainda não há essa cultura – além da insegurança econômica, que atrapalha. Nós queremos mudar esse quadro”, explica. Segundo Carolina, existem muitos fundos de investimento e institutos internacionais querendo incentivar essas ações por aqui – e aí entra a Impactix.

Seu trabalho também consiste em dar suporte a fundações ou a grandes companhias que queiram, sozinhos, estruturar projetos de empreendedorismo social. E, pessoalmente, Carolina dá mentoria estratégica a startups que queiram fazer o bem, com o desenvolvimento de um plano de negócios ou estruturação para que estejam aptas a receber investimentos. Até hoje, foram mais de 70 empreendedores que receberam essa mãozinha e tanto, sem pagar nada por isso. “Eu cobro do lado que pode me pagar e em troca apóio as startups que querem melhorar nosso país”, diz.

Carolina ainda está tocando um projeto, em fase piloto, para dar assistência a pessoas com mais de 50 anos a reestruturar a vida em termos de finanças, carreira e propósito, a mais50. “Vamos viver até 100 anos, precisamos parar na metade e repensar essa fase”, diz. De novo, ela coloca aí sua visão inclusiva do mundo: a cada 10 atendimentos pagos, um será oferecido gratuitamente a quem não pode bancar. “Recebi muito da vida, tive muita sorte. Sinto que posso devolver à sociedade”, diz Carolina. Assim que se fala!

Beijos

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