Amure Pinho, da ABStartups: apoio para quem inova

Amure Pinho é presidente da ABStartups, entidade que reúne 6000 empresas, tem um co-working em Botafogo, o Space, é investidor-anjo de 7 start ups, está abrindo uma franquia de venda de açaí, desenvolve aplicativos, é mentor em aceleradoras e dá palestras e workshops Brasil afora, para quem está começando nessa jornada. E tudo isso com 35 anos. “Antes de ser presidente de uma associação, o que eu mais sou é empreendedor”. Deu para perceber, Amure.

É nessa experiência que se apóia para dar impulso a quem está entrando na mesma jornada. Anualmente, a ABStartups faz uma radiografia desse sistema no Brasil – que serve de parâmetro para o mercado. Dá mentoria a quem está começando, aproxima esse pessoal dos investidores e busca parcerias com governo e grandes empresas. E ainda organiza o CASE (que este ano acontecerá em novembro), evento que reúne milhares de pessoas em busca de inspiração em palestras, debates, encontros. “Você pode trabalhar remotamente, mas em algum momento precisa trocar, por isso a gente aposta tanto nesse evento”, diz. Nesse ano, são esperados 7000 pessoas – e o índice de empreendedores fica em torno dos 70%. O que Amure aprende com essa convivência? Muito. Mas aqui ele conseguiu reunir um pouco desse aprendizado para nossa mentoria.

Fotos: Thays Bittar/Reserva

Produto é importante, mas audiência é mais

“A maioria dos empreendedores que vem até nós pensa primeiro no produto e depois se preocupa em construir um mercado em torno disso. Mas deveria ser exatamente o contrário. Não adianta você sonhar com o seu aplicativo ou com seu produto inovador, se na hora em que ele chegar ao mercado ninguém vai ver. Então, preocupe-se em, antes de tudo, construir uma audiência para o que você vai mostrar. Crie uma rede em seu entorno para que você seja ouvido quando contar a novidade. Faça um blog, um canal no YouTube, faça palestras ou artigos no LinkedIn. Esse passo é o primeiro, antes mesmo de desenvolver seu produto.”

Dá pra começar com pouco. Bem pouco

“Será que você precisa de um site ou de uma ferramenta sofisticada para vender o que produz? Muita gente fica à espera de um grande investidor, de um novo aporte de dinheiro para algo que pode ser bem mais simples. Uma vez que você construiu sua audiência, até uma lista de WhatsApp pode funcionar tão bem quanto um market place. Em vez de contratar um desenvolvedor e fazer um site lindo – e caro, alimente uma conta no Instagram com bom conteúdo e use isso para vender. Faça uso do que você tem nas mãos em primeiro lugar, do que está mais disponível. Fala-se em MVP [Minimum Viable Product, que se refere ao produto minimamente desenvolvido mas que já pode ir para o mercado para ser testado], mas eu prefiro falar em mínima audiência viável. Encontre seu público com os recursos que você tem à mão.”

Escolha (muito) bem seus sócios

“Boa parte das empresas não quebra por falta de dinheiro e sim por desentendimentos entre os sócios. Sociedade é como casamento, não dá pra casar com um cara que você conheceu em um evento no dia anterior. Escolha alguém que você já viu como trabalha em momento de pressão, com quem você já tenha experiência, seja um ex-colega de trabalho, alguém com quem fez projetos na faculdade. Tive uma empresa [a plataforma de blogs Blogo] em que vivi justamente esse problema. Aprendi que os papéis têm que ser bem combinados. Não dá pra ter dois CEOs ou dois CFOs.  Entregue o cargo a quem tiver competência e confie que ele fará o melhor.”

Decida-se

“Outro aprendizado importante que trouxe da minha experiência em start ups é que não dá pra ficar pensando se faz ou não faz, se desliga alguém que não está indo bem ou não. Se tem alguém que esta abaixo do combinado, em um mês esse problema tem que estar corrigido. Dê um tempo a ele para mudar o rumo, mas não espere demais. Já fui lento em minhas decisões e o preço pode ser alto.”

Métricas, métricas, métricas

“Para saber quem e o quê está indo bem, na média ou incrível, o único jeito é ter ferramentas de avaliação e medição constantes. Cheque suas metas, confira como está a entrega, reveja seus KPIs [Key Performance Indicators ou Indicadores-Chave de Desempenho] constantemente. Empreendedor que não faz esse acompanhamento pode estar botando energia onde não é necessário ou deixando áreas importantes de lado.”

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