Thiago Carvalho, da New Hope Ecotech: reciclagem virou negócio

Fala galera,

Hoje eu vou contar a história do Thiago Carvalho Pinto, um engenheiro formado na Universidade de São Paulo que, como muitos, foi trabalhar no mercado financeiro. E, como poucos, largou tudo por um tempo e foi estudar ioga na Índia, até se formar como mestre. Esse seria só um detalhe se não tivesse ajudado a abrir a cabeça desse empreendedor. Depois da pausa estratégica na carreira, ele acabou voltando para o mercado financeiro, mas dessa vez com a vontade de seguir um outro rumo: encontrar um trabalho que fizesse diferença para o mundo. E assim nasceu a New Hope Ecotech, uma empresa premiada em diversos países por apoiar a cadeia de reciclagem de lixo. “Criamos um mercado de créditos de reciclagem. As empresas compram os créditos e a gente atesta que parte de seu lixo tenha o destino certo”, diz Thiago.

Fotos: Thays Bittar/ Reserva

 

A New Hope conecta fabricantes com a ponta da cadeia da reciclagem, onde estão os catadores e as cooperativas que os reúnem, e acompanha esse processo até a transformação do produto, ou seja, até que seja reciclado. Antes disso, era um caminho difícil, ainda que obrigatório. É que, desde 2010, a legislação brasileira determina que empresas reciclem 22% de tudo o que é produzido – percentual que aumenta a cada quatro anos. Desde 2015, a New Hope já rastreou e certificou a reciclagem de 160 mil toneladas de lixo e envolveu cerca de 7000 trabalhadores da reciclagem no processo. “Hoje, são 10 a 15 marcas por semana que entram para nossa lista de clientes”, conta Thiago. Entre eles estão Ambev, Unilever e marcas menores, mas com comprometimento ambiental, como Natural One, Green People e Insecta Shoes. Algumas delas, como a fabricante de cosméticos naturais Simple Organic, recicla 100% do lixo que gera.

 

A história da New Hope nasceu em 2014, quando Thiago conheceu Luciana Oliveira durante um MBA na escola de negócio de Kellogg, em Chicago. A ideia, durante o curso, era criar uma empresa e colocá-la de pé. “A gente queria fazer algo que tivesse impacto social no Brasil”, lembra. Assim, usaram os recursos da própria faculdade para dar os primeiros passos. Enquanto Luciana desenvolvia a plataforma digital, Thiago usou a verba que a Kellogg dá para os alunos e veio para São Paulo com “cinco gringos” para ajudá-lo na parte antropológica do trabalho. “Durante uma semana, passamos o dia todo com catadores de lixo, fazendo exatamente o que eles faziam, para entender o processo”.

Depois de pesquisar essa cadeia durante um ano e meio e de ter a plataforma pronta, e empresa começou a operar. Os clientes se cadastram e indicam o tipo e quantidade de lixo que precisam reciclar. Quanto maior o investimento, mais lixo volta para a cadeia produtiva, menos lixo fica no meio ambiente. As cooperativas que participam do programa recebem um adicional de 30% em sua renda, que pode ser usada para comprar um caminhão, por exemplo, ou simplesmente para melhorar os ganhos dos catadores. E as empresas recebem o selo eureciclo, que garante que estão dando o destino certo aos restos de sua produção, seja plástico, tecido, vidro, alumínio. “Ainda temos um longo caminho para chegar nos padrões europeus, onde a lei manda que as empresas reciclem 70% de tudo que produzem”, diz Thiago.

Desde sua fundação, a New Hope recebeu vários prêmios, começando pelo de empreendedorismo social de Kellogg. A MIT Review colocou os dois, Thiago e Luciana, em sua lista de inovadores brasileiros com menos de 35 anos. E a família real tailandesa entregou em mãos aos dois fundadores o prêmio da escola de negócios local para empreendedores, a Sasin. Parece fácil olhando de fora, mas Thiago garante que não é bem assim. “Você tem que passar por todas as dificuldades que um empreendedor comum passa – e mais outras por estar na área social”, diz. Mas, até agora, eles estão dando conta em grande estilo.

Beijos

 

 

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