Juliana Costa e Caio Werneck, da Onda: inovação é coletiva

Bruno Paschoal e Caio Werneck se conheceram cursando mestrado em políticas públicas em Berlim. Barbara Marra e Juliana Costa se encontraram em uma pós-graduação em economia Campinas (SP). Caio voltou para Minas Gerais, Bruno ficou na Alemanha. Juliana mudou-se para São Paulo, Barbara para Berlim. Bruno e Barbara se mudaram para uma fazenda. Mas, em algum momento de 2017, todos estavam juntos para criar a Onda, uma consultoria de design de experiências para gerar inovação nas empresas. A ideia, que havia nascido em 2015, ficou adormecida por um tempo até que surgisse a conjunção ideal para colocá-la em prática. “A Onda precisava dessa configuração, desse encontro entre nós quatro para ser o que é”, diz Caio.

Os projetos são feitos sob medida. Para cada problema, maneiras diferentes de dar um empurrão e ajudar equipes a pensar de maneira inovadora, a encontrar soluções para problemas cotidianos. Muitas vezes, o jeito é colocar todo mundo em volta de uma mesa para fazer um protótipo da solução. Em outras, o jeito é justamente tirar dessa mesa e levar para o meio do mato. No caso, a Santa Esther, uma fazenda de café do século 19 onde Bruno e Barbara moram, e onde são feitos alguns dos workshops e experiências promovidos pela Onda.

Além do trabalho para os clientes, os quatro realizam o Coworking Camp, uma imersão de uma semana na Santa Esther que propõe uma maneira diferente de trabalhar, lidar com o tempo e conectar-se com outros profissionais (o próximo acontece em setembro e vale a pena ir). “Há um potencial transformador quando as pessoas estão conectadas consigo, com o mundo e com o outro”, diz Juliana. Aqui, os sócios contam os desafios de trabalhar em grupo, gerar inovação e unir quatro talentos sob o mesmo teto – ou sob a mesma copa de árvore.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Mudança precisa de provocação

“Nem sempre as empresas estão disposta a mudar. Nem sempre sabem como criar o ambiente propício, precisam de um primeiro impulso e é isso o que levamos até elas. Chegam até nós com um problema, mas muitas vezes a solução está lá dentro, usamos os recursos que já existem. É só uma maneira de reorganizar, de mudar o olhar e criar um ambiente de troca para que a solução surja. Não acreditamos em sujeitos inovadores ou em uma única mente genial, mas em processos coletivos de inovação. Fazemos uma primeira provocação para que se quebre a inércia.”

Talentos têm que se complementar

“Moramos em cidades separadas, mas cada um contribui em todos os projetos. Nada é feito a quatro mãos. Sempre a oito. Cada um traz seus talentos específicos e o que deu tão certo é que somos complementares, cada um tem qualidades que enriquecem o grupo. A distância talvez até contribua porque tem gente em ambiente de cidade, tem gente em ambiente de fazenda. Tem gente que cozinha super bem para receber os participantes das experiências, tem gente especialista em hospitalidade. E há quem cuide das finanças. Tem um pouco de tudo e isso faz com que o grupo dê certo.”

Projetos sob medida

“Explicar o que a gente faz nem sempre é simples mas, de alguma maneira, as empresas começaram a nos procurar desde o início. Um dos pontos importantes do trabalho é o fato da consultoria não oferecer algo pronto, como um produto de prateleira. É um trabalho customizado mesmo. As demandas sempre são diferentes, então olhamos cada organização de um jeito. O que é comum: aplicamos design thinking para criar um ciclo de ação e reflexão, para gerar aprendizado nas equipes. Mas isso pode ter formas múltiplas. Uma vez que todos saibam onde a empresa precisa chegar, trabalhamos com esse foco. Aliás, foco foi tema de um dos trabalhos recentes. Uma empresa nos procurou pois queria reforçar essa qualidade em suas equipes. Trouxemos gente para trabalhar em cima do tema e acabou servindo até para o nosso próprio aprendizado.”

Novos jeitos de trabalhar são possíveis

“Criamos o Coworking Camp pensando nos nômades digitais, mas sem ter ideia de como as pessoas abraçariam a ideia. E deu certo! A última edição, em abril, o tema foi Conexões. E foi isso mesmo o que aconteceu: uma conexão entre as pessoas e de todo mundo com a natureza. Nossa ideia era mostrar que novas maneiras de trabalhar são possíveis, que um outro ritmo é possível, que quando a gente sai do dia a dia muitas ideias surgem. Esse é nosso projeto autoral, que fazemos por amor e que acreditamos que faça a diferença.”

 

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