Kuki Bailly, da Rededots: conexão que gera prosperidade

Fala galera,

O termo inteligência coletiva, que define nossa capacidade de resolver os problemas com eficiência quando trabalhamos em rede, vem ganhando popularidade no mundo digital e nas empresas. Em julho de 2015, a designer Kuki Bailly ainda não tinha tomado contato com essa ideia. Mas, como havia perdido emprego em uma grande empresa do mercado de cosméticos, resolveu usar seu tempo livre para agir. Fez um post no Facebook chamando os amigos que estavam em uma situação parecida a se unirem em um grupo onde cada um falasse de seus talentos para que novas possibilidades de trabalho surgissem. “Era o auge da crise. Chamei os amigos para escutarem outros profissionais, abrirem suas agendas e ajudarem quem estava precisando”, conta Kuki.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

O que era só mais um grupo fechado no Facebook, em duas semanas já tinha 2.500 participantes. Hoje, menos de três anos depois, são 227.000 pessoas e 15.000 posts de produtos e serviços mensais. No mês que vem, a Rededots vai gerar o primeiro filho: um marketplace onde os membros poderão anunciar produtos ou serviços para fora dessa rede. Foi tudo tão rápido que Kuki não sabe contar direito como aconteceu. “Eu não entendia nada das ferramentas do Facebook. Só criei um grupo para unir pessoas e a coisa foi crescendo“, diz Kuki.

De consultoria de gestão a almofadas de tricô, com tudo o que você puder imaginar no meio disso, a Rededots tem todo tipo de profissional autônomo e empreendedor mostrando o que faz para essas milhares de pessoas que compartilham esse espaço virtual. Gente que faz bolo confeitado, fotografia, gerenciamento de redes, projetos arquitetônicos, contabilidade, tábuas de corte, dá aulas, desenha móveis. Qualquer profissional pode entrar, desde que convidado, e mostrar a essa multidão digital um pouco de seu talento. Claro que há regras para que a coisa flua. Uma delas é que as pessoas não se apresentem pelo nome da sua empresa, mas comecem contando sua história, falem de si e não como pessoa jurídica. E são muitas as histórias. Tantas que o grupo ganhou um perfil no Instagram para contá-las. Mães que passaram a sustentar seus filhos com as vendas dentro do grupo, profissionais que se reinventaram e encontraram um novo lugar com o apoio da rede, gente madura que achou que não tinha mais espaço no mercado.

Hoje, 20% dos participantes da Rededots têm 100% de sua renda gerada por negócios dentro do próprio grupo. Em média, 65% dos participantes têm na rede sua principal fonte de ganhos. Mais que isso, virou um lugar onde todas as classes se encontram. Se no início eram os amigos de classe média e alta, hoje 65% dos membros estão nas classes C, D e E, o que gera encontros que seriam improváveis sem essa conexão. “As pessoas preferem comprar um pão feito por uma mãe de família em vez de comprar em um supermercado. Querem usar seu dinheiro com propósito”.

Durante um bom tempo, Kuki levou a Rededots como plano B, fazendo frilas em design nas horas vagas. E era muito poucas, pois são centenas de postagens por dia que precisam ser aprovadas. Logo, alguns membros se candidataram a moderadores para ajudar nessa tarefa. Depois, quando Kuki decidiu montar a plataforma que irá servir de marketplace, começaram a se voluntariar para outros trabalhos. “As pessoas se ofereceram a fazer a contabilidade ou redigir contratos. Essa força toda de mudança vem daqui de dentro“, diz. Mas teve uma hora que a coisa precisou se profissionalizar – e isso foi há poucos meses. Kuki virou uma empreendedora social, com CNPJ, investidor-anjo, equipe de 11 funcionários trabalhando em um coworking, o Civi-co, em São Paulo. E a plataforma fica pronta em junho. Para ela mesmo, os ganhos financeiros ainda não vieram, mas os ganhos pessoais foram muitos. “A rede nasceu de uma crença genuína nas pessoas e acho que conseguimos inspirar outros a agir dessa forma”, diz. Rede é tudo!

Beijos

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