Vivi Duarte, do Plano Feminino e Plano de Menina: hackeando o sistema

Fala galera,

A jornalista Viviane Duarte furou a bolha e inverteu o que era pra ser.  Saiu de um bairro pobre de São Paulo, onde as mulheres não tinham espaço nem carreira. Ainda assim, foi a primeira geração da família a ir para a faculdade, empreendeu e montou a consultoria Plano Feminino, que ajudou a mudar a cara da publicidade no país, combatendo os estereótipos de gênero. “Queria que fôssemos vistas de outra maneira e isso passava pela publicidade. Queria dar voz à mulher real, que batalha, como eu e minha mãe”, diz.

Depois de dois anos batendo de porta em porta, Vivi foi chamada por uma agência de nome na área digital, onde convenceu os diretores a adotar um novo ponto de vista sobre a mulher. Fez uma campanha para o shampoo Seda com a beleza da diversidade, retratando meninas reais do Brasil afora. Já para a fabricante de sabão em pó Brilhante, procurou histórias de mulheres inspiradoras, que apareciam na TV contando sua luta. E estabeleceu de vez que aquele negócio de mostrar modelos lindas e perfeitas na publicidade estava com os dias contados. “Odeio a palavra ‘aspiracional’, que põe na revista uma mulher com que não nos representa”.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

Sucesso retumbante, a Plano Feminino ganhou espaço no mercado e hoje atende algumas das maiores empresas brasileiras, criando estratégias de marketing para que entrem no universo feminino de outra maneira. “Há cinco anos, era normal estereotipar a mulher. Eu vi essa transformação acontecer”, conta, do ponto de vista de uma protagonista da mudança.

Nessa jornada, Viviane percebeu duas coisas. Primeiro: não adiantava abrir espaço na publicidade enquanto as mulheres dentro das empresas não tinham espaço. Elas precisavam ganhar poder para abrir suas frentes também. Por isso, passou a dar consultoria e a trabalhar junto com a gestão para que as mulheres passassem a ser porta-vozes, a se posicionar.

Segundo: mudar a atitude da mulher adulta nem sempre é tão simples, por isso queria começar antes. E assim nasceu o Plano de Menina, uma entidade que tem como objetivo mudar essa postura ainda na adolescência. Assim, reuniu mulheres em diversas áreas para dar um empurrãozinho nas garotas da periferia, para que furassem a bolha, como ela fez. “Eu pensei na menina que eu fui, em como minha mãe me incentivou a ocupar um lugar que eu pensava que não era para mim. Queria fazer isso por outras garotas”.

A jornalista começou, então, a reunir um time que inclui Alexandra Loras, ex-consulesa da França e que hoje participa da luta por igualdade racial, Eliane Dias, esposa de Mano Brown, à frente da produtora Boogie Naipe e Nátaly Neri, que virou influenciadora digital por meio de seu canal Afro e Afins, para dar mentoria a garotas que vêm de classes sociais menos privilegiadas.

Desde 2016, já formou 350 adolescentes de escolas da periferia paulistana, em bairros como Capão Redondo, Grajaú, Campo Limpo. Para esses lugares, leva gente para falar de carreira, autoestima, moda e redes sociais, por meio dos encontros e aulas online. Nesse ano, a turma já tem 480 garotas, incluindo gente em São José dos Campos (SP), Minas Gerais e nas comunidades atendidas pelo projeto Redes da Maré, no Rio.

O modelo é bem simples e consiste em mostrar para as meninas da periferia que elas também têm espaço na sociedade. Uma das ações é o Ocupa Menina, que leva as participantes a exposições ou outros lugares da cidade que elas pensavam não poder frequentar, simplesmente porque vêm de classes sociais baixas. “Elas acham que não podem entrar de cabeça erguida nos locais onde estão os mais privilegiados, como museus e parques dos bairros de classe alta. Mostramos que elas podem e devem fazer isso”, diz. E a gente aplaude.

Beijos

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