Eduardo Baer, da DogHero: começar com pouco traz flexibilidade

Eduardo Baer fazia parte do grupo de empreendedores que fundou o iFood, o aplicativo de entrega de comida, mas saiu de lá antes mesmo que o serviço decolasse e se transformasse em um nome conhecido em todo o Brasil. “Eu queria aprender com os erros alheios, queria saber quais problemas já tinham aparecido em uma start up e entender o que outros tinham feito para resolvê-los”, diz. Assim, deixou a sociedade e foi para Stanford, fazer seu MBA, em 2012. Além do aprendizado, teve um insight. Percebeu que, se quisesse ter um cachorro ao voltar para o Brasil, não teria com quem deixar o bichinho em suas frequentes viagens. Se deu conta também que metade dos lares têm um animal de estimação no país. Um mercado a ser explorado, portanto.

Ainda nos Estados Unidos, discutiu a ideia com seu colega de curso, Fernando Gadotti, e em 2014 os dois montaram a DogHero, um serviço que conecta donos de cães que precisam se ausentar a gente que topa receber o cachorro em casa durante o período da ausência. O negócio cresceu, virou uma empresa com 42 funcionários e mais de 15 mil anfitriões de cachorros em 650 cidades o Brasil e 1500 anfitriões na Argentina, segunda operação da empresa. Agora, os sócios preparam a expansão para o México, que aconteceu graças à quarta rodada de investimentos que receberam, parte vinda de um fundo de venture capital mexicano. Recentemente, o DogHero lançou também o serviço de passeio para cachorro, em que passeadores profissionais ou amadores se conectam com os donos pela plataforma. Eduardo conta aqui um pouco de sua trajetória.

Fotos: Thays Bittar/Reserva

Sozinho seria mais difícil

“Sempre levamos essa história de sociedade muito a sério pois acredito que a trajetória do empreendedor solitário é muito mais difícil. Antes de fecharmos a parceria, nos trancamos em uma sala por uma semana, eu e Fernando, para discutir nossas visões de mundo, de mercado, de como seria um ambiente bacana para atuar, que empresa gostaríamos de construir. Já tínhamos afinidades porque conversamos bastante durante o curso, mas era necessário saber se ia além disso, se a gente conseguiria trilhar o mesmo caminho. Então, quando começamos a empresa, cada um sabia as regras desse jogo muito bem. Além disso, temos personalidades complementares. Ele é mais organizado, pensa em processos. Eu penso na visão de longo prazo. Ele me ajuda em pontos que não são o meu forte e isso é essencial.”

O cliente precisa testar

“Antes de montarmos a plataforma, a gente fez uma página convidando as pessoas a se cadastrarem e fizemos as primeiras entrevistas nós mesmos. Afinal, a empresa não tinha muita gente. Fomos descobrindo, conforme aconteciam as primeiras interações entre anfitriões e donos de cachorros, o que era importante. Agora, que lançamos o serviço de passeio, primeiro pensamos em cobrar por mês. Mas aí chegava um dia de chuva e o cachorro não saía no dia combinado, o cliente acabava perdendo o dinheiro. Então revisamos para passeios avulsos, agendados ou com créditos. Só depois desse teste é que a gente monta a plataforma, o sistema de pagamentos etc. O planejamento depende muito da experiência e do feedback do cliente.”

Investimento é consequência

“Já estamos na quarta rodada de investimentos, a primeira veio de pessoas do nosso próprio networking. Depois, vieram os fundos de venture capital que atuam no Brasil e, agora, um do México, por conta da filial mexicana, e um alemão. Esse dinheiro vem depois de muita conversa, acompanhamento e da construção de uma relação. A Monashees e a Kaszek [o Global Founders Capital veio posteriormente], dois dos fundos que investiram, nos acompanharam durante um tempo, observaram que estávamos realizando o que a gente se cumpria, até que o aporte fez sentido. Acho que poucas vezes esse investimento vem de forma imediata.”

Comece pequeno e ajuste rápido

“Nossa filosofia é colocar o serviço no mercado com o mínimo que ele precisa para funcionar bem. Esse aprendizado eu trouxe do iFood por uma experiência oposta: demoramos quase três anos entre ter a ideia e a empresa começar a funcionar. Acho frustrante, você pode perder o timing. Não foi o caso, obviamente, mas eu prefiro começar com pouco, fazer na mão mesmo muitas vezes, e colocar na rua. Aí você vai ajustando conforme o negócio cresce. E, como não fez grandes investimentos, pode fazer esses ajustes rapidamente, sem perdas significativas.”

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