Leonardo Carneiro, da Kunla: poder e renda para mães e comunidades

Fala galera,

Com alguns anos de experiência na área de contratação de profissionais, o engenheiro Leonardo Carneiro deixou a consultoria de busca de executivos em que trabalhava para abrir uma agência de recrutamento. Mas não qualquer agência. Uniu-se ao amigo Marcelino Badin, engenheiro que trabalha com desenvolvimento de sites e, juntos, lançaram a plataforma Kunla, criada com investimentos pessoais da dupla, em setembro de 2017.  A ideia era encontrar gente para as chamadas vagas operacionais, ou seja, portaria, segurança, limpeza, recepção, gente da base da pirâmide corporativa. Mas a maneira de recrutar esses profissionais é o que fez a diferença aqui. Em vez de consultores de Recursos Humanos que ficam dentro das empresas, quem faz a busca na Kunla são mães com filhos pequenos, moradoras de comunidades e bairros pobres de São Paulo. “O processo é mais ágil, as vagas são preenchidas com mais acerto e a gente apóia uma mãe que precisa sustentar seus filhos”, diz Leonardo.

Fotos: Thays Bittar/Reserva

A ideia veio quando o empreendedor repensava seu primeiro negócio, uma agência de recrutamento comum, que montou logo após deixar o emprego, há dois anos. O negócio andava, mas ele sentia que faltava algo. “Eu não entendia o motivo de estar fazendo aquilo. Claro que precisava me sustentar, mas não era o suficiente”, diz. Durante o ano em que esteve à frente dessa agência, percebeu que a comunicação era o ponto mais fraco na hora de contratar para as tais vagas operacionais. “As pessoas que se candidatam têm acesso limitado à internet, seus celulares não são bons, muitas vezes têm dificuldades em chegar até o local da seleção e não conseguíamos encontrá-las”.

Com essa experiência – e a vontade de criar um negócio de inclusão, como chama a Kunla -, os dois imaginaram qual seria o perfil de um recrutador para dar conta desse recado. Gente que lida bem com tecnologia, se comunica por meio dela e está em situação de vulnerabilidade. “Queríamos incluir pessoas que realmente precisassem de um trabalho, mas não tivessem condições de conseguir. E as mães não podem se ausentar por muito tempo de casa, o que dificulta muito ficar em um emprego”, conta. Daí veio a ideia das mulheres jovens e com filhos pequenos. “Elas circulam muito, conhecem gente na vizinhança, têm capital social”, diz Leonardo. E circulam mesmo. Em 48h, as vagas – que são anunciadas via WhatsApp – são preenchidas. E, depois disso, a recrutadora fica responsável até o final do processo de contratação. É ela quem precisa garantir que o candidato vá em todas as etapas até o dia em que ele começa no emprego novo.

O primeiro passo dos dois foi contratar uma agente para visitar as comunidades e identificar essas mães. “Somos homens, brancos, de classe alta. Para criar proximidade, precisávamos de alguém que falasse a mesma língua que elas, daí veio a ideia de enviar uma outra mulher, com quem tivesse algo em comum, para encontrá-las”, explica Leonardo. As mães que queiram atuar para a Kunla podem fazer sua inscrição online, mas depois de serem selecionadas passam por uma entrevista e recebem treinamento pessoalmente. A plataforma entrou para o programa de aceleração da Artemísia, uma das principais incubadoras de negócios sociais do país e, em um ano, teve 1.500 inscritas em mais de 30 comunidades, mas nem estão todas ativas no momento.

Agora, os sócios precisam investir no outro lado da cadeia: a busca de clientes para aumentar a demanda por vagas. O objetivo é que o trabalho com a Kunla não seja apenas um extra, mas que gere renda suficiente para que as inscritas se sustentem integralmente. Para cada vaga preenchida, Leonardo cobra R$ 250 da empresa que o contratou (a média do mercado está nos R$ 600). Disso, R$ 150 vão para a mãe que fez a seleção. O restante paga a operação, impostos e sobram R$ 50 de lucro. “Como a margem é baixa, precisamos de uma grande demanda de vagas”, explica. Entre os clientes que já os contrataram, Insper, Cobasi, Danone e pizzaria Brás. “Acabamos de empregar vendedores para trazer mais vagas e esperança pra essas mães.”

beijos,

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO LEONARDO

CAMISA ML FT TRAMA

QUER SER AVISADO SOBRE NOSSOS PRÓXIMOS POSTS?