Carlos Jereissati Filho, da Iguatemi: reinventando o tradicional

Há mais de cinco décadas o primeiro shopping center brasileiro abria as portas na Avenida Faria Lima. Era o Iguatemi São Paulo, uma aposta ousada – e acertada – da família Jereissati, que hoje é dona de 17 empreendimentos no ramo. O negócio que começou nas mãos do pai, Carlos Jereissati, está sob o comando de Carlos Jereissati Filho, que desde 2002 cuida para nunca deixar a inovação distante da Iguatemi. “O mais incrível não é ser o primeiro, mas sim a Iguatemi continuar sendo a grande referência 50 anos depois”, diz. “É visível a importância da inovação, de estar sempre revendo a equação shopping center”.

Uma das grandes provas disso é a inauguração do JK Iguatemi, em 2012, shopping que trouxe marcas inéditas para o país num espaço diferente de qualquer outro do ramo. “Três coisas são muito fortes aqui dentro: inovação, excelência operacional e o cuidado com o detalhe”, explica o CEO do grupo. “A Iguatemi é percebida e reconhecida por sempre estar buscando coisas que façam as pessoas se surpreenderem”. A seguir, ele conta o que aprendeu nessas décadas comando da empresa.

Fotos: Thays Bittar | Reserva

A cultura da empresa

“A coisa mais importante que uma empresa precisa ter é a cultura, que é o conjunto de valores e atitudes esperadas pelas pessoas. É fundamental definir desde o começo a sua cultura, a maneira como você vai ver o mundo e como você quer que seu negócio atenda determinada atividade. Porque vai determinar que tipo de pessoa você vai contratar, o que você espera delas e como é que você vai construir toda a sua organização em torno disso. Isso é essencial e cada vez mais valorizado pelas pessoas. Cada década tem suas palavrinhas mágicas, né? Agora é propósito. As pessoas querem ter propósito, impacto, mas na verdade essas coisas sempre existiram.”

Reinventando o tradicional

“O Iguatemi foi o primeiro shopping do Brasil e o mais incrível é, depois de 50 anos, continuar sendo o grande líder da indústria de shoppings centers do país. E a grande referência também. Então tudo o que se faz aqui vem gente do Brasil inteiro ver. Se a gente escolhe uma nova flor, essa flor passa a ser adotada em quase todos os shoppings do país. Eu brinco que no passado eu tinha mais vergonha em falar, mas hoje eu digo que é a Iguatemi que empurra a indústria de shoppings do Brasil para cima, que seta o patamar do negócio. Então acho que é uma obrigação que acabamos criando para nós de estar sempre nos reinventando, nos recriando para poder construir uma indústria cada vez melhor”.

Inovação constante

“A gente sabe que para surpreender você tem que fazer coisas novas, diferentes e únicas. Então para isso é necessário construir internamente modelos e ferramentas que façam com que você se prepare para a construção dessas inovações. Que faz com que você esteja constantemente indo para o mundo, olhando o que existe, as tendências, transformando isso em coisas aplicáveis na sua realidade, prototipando e implantando, como foi por exemplo o cinema com reserva. Quando os cinemas eram aquela coisa chata que você tinha que chegar cedo e ficar na fila, o Iguatemi veio e construiu junto com a rede Cinemark o cinema com reserva. Foi uma coisa que a gente apostou, investiu e isso melhorou a qualidade de vida das pessoas”.

Buscando talentos

“A gente tem cada vez mais uma cultura que privilegia e trabalha a promoção interna. Temos metas cada vez mais agressivas para fazer com que as pessoas que ascendam aqui dentro sejam pessoas criadas dentro do grupo. Quando alguém vem de fora, temos uma preocupação em fazer uma integração muito forte e demorada para que a pessoa entenda a cultura, os valores e sejam capazes de enxergar o que a gente mais valoriza. É bom que as pessoas escutem as histórias que são contadas por cada área para que tenham uma visão sistêmica de como a gente trabalha”.

Os meios não justificam os fins

“O maior erro é esquecer a razão pela qual você existe como empresa. E tirar do foco seu consumidor, seu cliente. Na hora em que você começa a achar que o meio é importante, e não sua razão de existir e atender alguma necessidade das pessoas, você começa a correr o risco de deixar de ser relevante. O importante, independente do que você faz, é a necessidade que você atende e a capacidade que tem de estar se renovando o tempo inteiro para continuar sendo relevante. Quando se esquece disso, você começa a cometer o maior erro, que é perder o vínculo com o seu negócio. É um exercício eterno de empatia, que é uma coisa difícil de se praticar. É sempre se colocar no lugar do cliente e pensar: será que isso está fazendo sentido?”

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