Victor e Henrique, da Liv Up: comida saudável e comércio justo

Diz-se que as startups mais bem-sucedidas nascem de problemas reais enfrentados pelos fundadores. E essa é a história de Victor Santos e Henrique Castellani, que criaram a Liv Up em 2016, quando trabalhavam muitas horas por dia, em um banco e uma consultoria, respectivamente, e tinham dificuldade em comer de uma maneira saudável. “Comer em restaurantes é caro e nem sempre se tem boas opções. E preparar em casa leva tempo e organização”, diz Victor. Em um final de semana, ele conversava com Henrique, seu amigo desde o início do curso de engenharia, tentando resolver esse problema do cardápio diário. E foi aí que os dois perceberam que tinham uma oportunidade de negócios na frente.

 

Fotos: Thays Bittar/Reserva

Juntaram suas economias e desenharam os primeiros passos da Liv Up: seria uma marca de alimentação saudável, incluindo opções vegetarianas e orgânicas. Descobriram uma nova tecnologia de ultracongelamento, cujo processo leva 90 minutos. Mas foram além disso: Henrique, que tem vários engenheiros agrônomos na família, incluindo aí a mãe, conhecia de perto agricultores familiares e sugeriu aproximar essa turma da Liv Up. Pareceu uma loucura fazer toda a logística, mas essa relação com os pequenos produtores virou um ponto de partida da empresa no mercado, em que responsabilidade social e relações justas de consumo são cada vez mais valorizadas. Hoje, são cinco mil refeições diárias na Grande São Paulo, Rio e Belo Horizonte. E um faturamento que vai crescer cinco vezes em relação ao ano passado. Conheça um pouco da história da Liv Up, contada aqui pelos dois empreendedores.

Resiliência foi essencial

“Quando estávamos prontos para receber o primeiro aporte de um fundo de investimentos, o dólar subiu e os investidores desistiram. Já havíamos pedido demissão do trabalho e estávamos com tudo na mão para lançar, então fomos pedir dinheiro a ex-colegas, familiares, antigos chefes. Conseguimos o suficiente para começar a funcionar, mas tivemos que baixar as expectativas e trabalhar com o mínimo possível, ainda assim mantendo os equipamentos necessários para a qualidade que a gente queria. Mas não teve um único dia e que a gente pensou em desistir. Hoje temos investidores-anjo e a Kaszek Ventures com a gente.”

Equipe enxuta tem que ser boa

“Quando o dinheiro esperado não veio, tivemos que reduzir a lista de contratações. Chamamos menos gente, convidamos profissionais que vieram trabalhar por menos do que ganhavam no emprego, mas que acreditavam no negócio. Demos uma parte da sociedade a essas pessoas que estão com a gente até hoje e são muito alinhadas com o caminho e a cultura da empresa. Investir em contratações e convencer as pessoas certas é um passo importantíssimo.”

Uma visão holística do negócio

“O saudável pra gente é algo que vai além do que encontrávamos nas marcas diet, light etc. Nosso cardápio é natural, 60% dos vegetais são orgânicos e hoje temos uma visão mais holística da alimentação. Queremos que toda a cadeia seja sustentável. Descobrimos que a maior parte do lucro com a venda dos orgânicos não ficava com o produtor, ficava com o intermediário. Então resolvemos comprar direto de pequenos agricultores para que sejam melhor remunerados.”

Relação justa

“Hoje, os produtores têm procurado a gente ou chegam por indicação. Mas, quando começamos o trabalho, muita gente ficava com o pé atrás porque dávamos garantia de compra antes da colheita. Mas hoje mudou, a relação de confiança e ate de amizade é muito gostosa, tem ajudado muito, e ajudamos os produtores a planejarem a plantação e a desenvolverem seu trabalho para que tudo funcione muito bem. Queremos ser uma empresa querida também pelos agricultores que fornecem a matéria-prima.”

Pesquisa é ponto de partida

“Passamos 4 meses estudando o mercado. Fomos conversar com potenciais clientes, nutricionistas, entender os problemas do dia-a-dia. Nós mesmos não estávamos contentes com o que a gente consumia. Então fizemos um canal direto com o consumidor, algo que permita a ele co-criar a marca e os produtos. A gente lança coisa nova constantemente, 10% dos produtos são renovados todo mês. Porque estamos conversando com o cliente por site, email, mídias sociais, somos muito fortes no Instagram, perguntamos tudo diretamente pra eles.”

 

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO VICTOR E DO HENRIQUE

Victor Santos
Suéter Bruges | Calça Estique-se Betim

Henrique Castellani

Camisa Oxford | Calça Arandu

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