Guilherme Ferreira e Fernando Bueno, da Huddle: conte seu propósito para o mundo

Guilherme Ferreira e Fernando Bueno não cursaram nenhuma das faculdades mais disputadas do Brasil, aquelas onde as grandes empresas buscam os candidatos para suas melhores vagas. Ainda assim, conseguiram vagas como trainee em uma grande consultoria, a KPMG, onde se ajudaram mutuamente – e de onde saíram para montar sua primeira empresa, um serviço de coach para jovens profissionais, em 2014.

O que essa história tem a ver com sua trajetória como empreendedores? Tudo. Logo cedo, os dois perceberam que um currículo sem pedigree, ou seja, onde não conste uma das faculdades top de linha do país, coloca o candidato numa grande vala comum durante um processo seletivo. E, por isso, criaram a Huddle, uma empresa games online para apoiar outras empresas na hora de fazer contratações em massa. O candidato é testado também por meio de games onde tem que mostrar suas competências. Assim, tiram o foco do nome da faculdade para colocá-lo onde mais importa: as competências dos candidatos. “Mesmo que seja um profissional que teria um ótimo desempenho, ele é preterido por não ter cursado uma faculdade de primeira. A gente queria que isso mudasse”, diz Guilherme.

Com esse senso de justiça, a Huddle nasceu com uma estratégia de vendas bem mais agressiva do que os dois vinham praticando em seus negócios anteriores. Foram quatro anos tentando, incluindo, além dos serviços de coach, uma parceria para um negócio muito semelhante ao atual, mas com gestão bem diferente. Hoje, há papéis bem definidos para os dois sócios, que estão mais mais firmes em seu propósito de apoiar gente que, como eles, não cursou Poli ou FGV – mas está disposta a suar a camisa para conseguir resultados. “O objetivo dos games da Huddle é valorizar as qualidades e a capacidade do profissional em resolver problemas”, diz Fernando. Aqui, eles contam um pouco de tudo o que passaram e as principais lições.

Fotos: Thays Bittar / Reserva

Marcha-ré com dignidade

“A gente começou em 2014 com uma empresa de coach para jovens profissionais, que realmente estavam dando os primeiros passos na carreira. Investimos em um escritório grande e bem decorado. Logo, vimos que foi muita grana para um negócio que ainda engatinhava e que dependia da nossa presença o tempo todo para rodar. Não tinha como ganhar escala. Logo nos demos conta que é essencial começar com pouco e investir o mínimo no início. A gente se encantou e foi com tudo, sem medir muito se haveria um retorno – e quando. Tivemos que reduzir muito a operação, fomos para um escritório pequeno em um bairro barato e demos um tempo para repensar o negócio.”

Recicle sua história

“Percebemos que nosso sustento não viria do primeiro negócio e que tudo precisava mudar, mas já tínhamos um histórico de trabalho com jovens, entendíamos seu comportamento e o mercado de trabalho. Aí passamos por uma mentoria e remodelamos o negócio. Vimos que o foco tinha que ser o problema do cliente, e não apenas o que a gente mais curtia fazer. Depois de criar vários produtos que não deram certo, workshops, grupos de coach em empresas, aprendemos essa lição. Mas já tínhamos uma experiência importante. Um dos produtos, uma mentoria à distância, tinha algumas características de jogo online. Usamos essa base para criar o produto da Huddle hoje.”

Limpe o meio de campo

“Não estávamos com propósito claro, os dois faziam de tudo, não havia papel definido para os sócios. Acabávamos pegando muita coisa pra fazer, coisas que não deveriam estar em nosso foco, criávamos mais e mais produtos para ganhar escala. No início de 2018, começamos com uma marca nova e uma estratégia comercial agressiva, batemos a meta de clientes já em agosto, conseguimos uma equipe super engajada que veio pra cá mesmo sabendo das dificuldades porque acreditou no produto. Temos clientes como Cultura Inglesa, Merecedes Benz, Braskem, Citibank, Volkswagen.”

Deixe claro seu propósito

“Nosso grande propósito é a democratização do processo seletivo. Por isso a frase que vem depois do nome Huddle é ‘além do currículo’. Mas a gente não tinha coragem de falar para o pessoal de Recursos Humanos, pra quem tentávamos vender nosso serviço, que o processo deles de contratação não era justo. Ficávamos inseguros em perder a venda. Até que começamos a ouvir de outros empreendedores que havia um erro aí, a gente tinha justamente que dizer a que veio aos possíveis. Nosso aprendizado: se você tem um propósito, ele tem que ficar claro. Não adianta ser revolucionário dentro do escritório, tem que falar sua causa pro mundo.”

 

– INSPIRE-SE NO ESTILO DO GUILHERME E DO FERNANDO

Guilherme Ferreira
Camisa Jogo | Calça Caldazinha | Tênis

Fernando Bueno

Camisa Vichy | Calça Arandu | Tênis

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