Jennifer e Luís, da Empreende Aí: a inovação vista por outro prisma

A ideia da Empreende Aí começou de um jeito muito simples, quando o administrador de empresas Luis Henrique Coelho, de 25 anos, criou um blog sobre o assunto, enquanto a namorada, Jennifer Rodrigues, de 27 anos, psicóloga, revisava o conteúdo. Por conta do interesse crescente no assunto, os dois foram assistir uma palestra de Muhammad Yunus, o banqueiro bengali que ganhou o Nobel da Paz por sua atuação em crédito social, e tiveram um insight. “Havia pouco conteúdo sobre gestão voltado para negócios das áreas menos privilegiadas da cidade, da periferia”, diz Jennifer. Naquele dia,  tiveram a ideia de fazer uma escola de negócios para esse público, um imenso mercado consumidor, mas cujos empreendedores têm poucas ferramentas específicas para se desenvolver. “Os cursos normalmente eram cheios de termos técnicos, jargões ou palavras em inglês que, muitas vezes, não eram do conhecimento desse nicho”, diz Luis.

Fotos: Thays Bittar/Reserva

De 2015, quando nasceu a escola, para cá, foram 19 turmas, com 4 a 5 meses de duração, mais de 500 alunos capacitados e 250 negócios no portfolio que estão atuantes em seus mercados, em áreas como moda, alimentação, saúde, finanças. O conteúdo engloba autoconhecimento, identificação de habilidades, gestão do negócio, perfil do consumidor, modelagem, prototipagem, storytelling e pitch.

No momento, os dois estão com a segunda turma voltada para empresas de tecnologia, dentro do Cubo Itaú, o espaço de fomento ao empreendedorismo criado pelo banco em conjunto com a RedPoint eventures. O local foi escolhido justamente para que os alunos possam se aproximar de fundadores de startups de tecnologia. O curso é gratuito, então as aulas são mantidas com a venda de cotas de patrocínio para empresas como a Via Varejo, que administra as Casas Bahia e o Ponto Frio. Ou com o apoio do Sesc, que sediou algumas das turmas, entre elas uma feita para refugiados, além das turmas online. O próximo passo da Empreende Aí é prestar consultoria para empresas que atuam nesses mercados e querem entender melhor o empresário de regiões mais populares. Aqui, eles contam o que aprenderam em mais de três anos e de 300 negócios.

Veja a inovação por outro lado

“Se a gente olhar a inovação só por um prisma, teremos apenas aplicativos de táxi sendo criados. Tem um mundo de possibilidades na periferia em termos de negócios. Um dos alunos criou um aplicativo voltado para que os usuários encontrem o empréstimo consignado com os juros mais baratos do mercado. Os aplicativos que fazem isso ganham por comissão, então acabam indicando os mais caros. Ele achou um jeito de beneficiar o consumidor e vai ganhar de outra maneira. Esse tipo de visão muitas vezes não acontece nas startups comuns, pois os fundadores não têm a visão de quem vive com menos recursos. Tem muito saber na periferia e um mercado imenso.”

Desapega, desapega

“Empresa é como filho, a gente tem que desapegar e deixar ir pro mundo. Muitos empreendedores se apegam, querem fazer tudo, acabam não conseguindo delegar. A gente mesmo teve que fazer isso: antes, dávamos todas as aulas, mas em um dado momento não havia mais tempo, a gente precisava gerir o negócio e não ficar só no operacional. Os resultados não vêm da nossa presença na sala de aula, mas de como a gente vai capacitar outras pessoas para fazer o mesmo trabalho, em como vai replicar o negócio e ganhar escala.”

 

O mínimo possível

“Lembre-se sempre de tentar a alternativa mais barata possível para criar o que você precisa e dar os primeiros passos. Não precisa montar um e-commerce, tente um market place que já exista. Em vez de abrir o restaurante, contratar garçom etc, coloque sua lojinha no iFood, na Amazon. Tente maneiras alternativas de faturar gastando o mínimo até que você tenha força para aumentar o investimento.”

Mantenha a flexibilidade

“A gente preza muito por manter os cursos bem flexíveis. Nossos custos fixos são muito baixos. O mercado varia muito, muda a toda hora. Você não sabe se vai precisar alocar recursos em outras áreas, então esse cuidado é essencial. Nossa equipe de colaboradores é pequena e, se necessário, nós mesmos podemos atuar em alguma área pois conhecemos o negócio. Temos cinco pessoas trabalhando em sala de aula, gerindo as comunidades e cuidando da administração no dia-a-dia, algo que fazíamos sozinhos no início. Também não temos sede, buscamos espaços que podem ser usados gratuitamente ou com baixo custo para fazer as aulas, como o Sesc ou OnGs que possam ceder esses locais. Assim, temos flexibilidade para mudar o rumo rapidamente se necessário.”

 

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Luis Coelho
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Jennifer Rodrigues

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