Luiz Orlandini, da Schoolastic: um olhar individual para a aprendizagem

Quando Luiz Orlandini, 43 anos, era criança, tinha sempre um pedido para a mãe às vésperas das provas. Ela fazia um bolo, comprava refrigerantes e ele chamava os colegas de classe. Durante a festinha, o garoto conversava com todos os amigos e perguntava o que tinham achado do livro ou do texto que cairia na prova. É que Luiz é disléxico e tinha dificuldades para ler. “Eu encontrava maneira de driblar o problema. Naquela reuniãozinha, eu tinha diferentes visões da leitura proposta. Ouvia com atenção e era o que tirava a nota mais alta”.

Essa foi o jeito que ele encontrou de resolver a questão que o afligiu durante o período escolar. Mas, para que outras crianças não tenham que enfrentar o que ele passou, criou a plataforma Schoolastic junto com o sócio, Daniel Nascimento. Trata-se de um app em que pais e professores terão um apoio não só para identificar problemas de aprendizagem, mas para encontrar maneiras eficientes de ensinar cada criança para além do currículo escolar tradicional, já que cada um tem tipos de inteligência que nem sempre são contempladas. “A escola conversa pouco com as famílias, não dá tempo de falar com todos e nem sempre os professores lembram de tudo na hora da reunião. Quando o papo é mais demorado entre pais e professores, é porque houve algum problema.”

Thays Bittar/Reserva

O Schoolastic surgiu justamente para que, na hora dessa reunião, boa parte dos problemas ou questões de cada classe e de cada aluno já estejam identificados, encaminhados e, quem sabe, com algum plano de ação indicado. “O app sugere maneiras de se observar as características individuais e do grupo no dia a dia, até criar um quadro mais amplo das duas esferas”, diz. Depois do período de alimentação da plataforma, com dados numéricos (notas, faltas etc) e dados cotidianos (contribuições do aluno, jeito de se comunicar, qualidades do grupo), cria-se um plano de aprendizagem. Algo que funcione para o grupo, para o indivíduo – e também que ajude aqueles que tenham problemas mais sérios, como a dislexia que Luiz relatou. Nesse processo, abordam competências sócio-emocionais, inteligências múltiplas, aptidões e aprendizagem. “Eu estou aprendendo meu sétimo instrumento musical sem nunca ter feito uma aula. A verdade é que o cérebro encontra maneiras de captar as coisas, mas as escolas não estão preparadas para essa flexibilidade.”

O Schoolastic quer causar uma reflexão sobre o padrão singular de cada jovem e de cada criança aprender, dentro e fora da sala de aula. “Fomos atrás de uma metodologia de mapeamento de preferências cerebrais”, conta. Eles adaptaram a técnica, usada pelos departamentos de RH. para entender em que áreas os profissionais podem ter melhor desempenho. “Passamos quatro anos otimizando isso para que os professores e pais pudessem observar como os alunos preferem pensar”, explica. Hoje, são 8 dimensões de aprendizado estudadas pelo app, caminhando para 16 em breve.

Usar a plataforma não significa que o professor vai aplicar um plano diferente de estudos para cada estudante mas que, junto com a família, vai perceber o que fazer para ajudar os que têm dificuldade com o ensino tradicional a não ficarem para trás dentro do grupo. “Também conseguimos colocar todas as habilidades das turmas em perspectiva e mostrar quais são os gaps comuns a mais de 60%. Pode ser falta de flexibilidade, por exemplo. Algo que, se a escola estimular em trabalho em grupo, possa ser modificado.”

Indo para a esfera familiar, a ideia é que os pais participem mais do ensino e que problemas do aluno que venham do relacionamento em casa possam ser abordados. “Queremos jogar luz em sobre coisas que os pais normalmente não param para analisar, queremos que eles possam estar mais atentos a seus filhos”, diz. A fundação da empresa coincidiu com o momento que seu Luiz estava vivendo. “Eu havia vendido uma empresa e estava pensando no que fazer da carreira, mas queria mudar também minha vida pessoal. Pensei em estar mais ativo na vida dos meus filhos, mas não queria apenas ter uma agenda para saber o que estavam fazendo, queria apoiá-los”, lembra ele, que é pai de três, entre 22 e 6 anos de idade.

A Schoolastic teve uma longa curva de desenvolvimento e período de teste em diversas instituições – e agora começa a estar mais presente no mercado. Um dos objetivos é atuar fortemente em escolas públicas. “Tivemos uma turma em um instituto de ensino público infantil e comparamos com crianças de uma escola de classe média para ter ideia das diferenças”, conta. O resultado é que, enquanto os pequenos da escola privada tinham perfil mais cooperativo, os daquela escola pública na periferia eram muito fortes em liderança. Ao conversar com a professora, descobriu-se que o fato de passarem muito tempo sozinhos em casa, de terem que se virar sem a ajuda dos pais, que trabalham fora o dia todo e deixam os filhos com um irmão mais velho ou uma avó, desenvolveu essa capacidade. Era pura necessidade de sobrevivência. “Quando essa informação vira dado, podemos gerar não apenas um melhor ensino, mas oportunidades de trabalho que tenham a ver com as habilidades e competências desses alunos.”

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