Marcelo Sousa, da Bright: física, luz e inovação para curar

Quando o físico cearense Marcelo Sousa estava no final de sua graduação acompanhou a avó, internada com câncer, no hospital. E lá ouviu dos médicos que não havia muito a fazer, além de cuidados paliativos. “Disseram que não era possível operar e que não havia nenhum procedimento a ser feito”, conta. Marcelo não se conformou com a resposta e passou a observar o trabalho hospitalar. Achou que poderia fazer algo para mudar aquele cotidiano. “Comecei a perceber que os dia-a-dia dos médicos tem muito de física, mas não é um assunto que eles dominam. Então pensei em levar essa física para o tratamento de doenças, unir física e medicina”.

Ele optou então por uma tese de mestrado voltada para a física médica e para os tratamentos por meio de luz, a fotomedicina. A modalidade é muito usada em fisioterapia, com o raio infravermelho, e em diagnósticos, caso do raio-X. Mas Marcelo achava que dava pra fazer mais e, em 2015, depois de terminar o mestrado e ter partido para um doutorado (parte dele em Harvard) estudando o assunto, fundou a Bright Photomedicine e o Light-Aid, uma espécie de curativo que alivia dores crônicas debilitantes, ajuda na cicatrização de feridas, inflamações, e pretende até mesmo combater doenças neurológicas e psiquiátricas, como depressão e Alzheimer. O processo vem sendo testado e chegou esse ano para ser usado em hospitais, entre eles o Hospital das Clínicas, em São Paulo, além de outros no Rio, João Pessoa, Goiânia e Curitiba. Muito do que usou para a sua invenção veio do ano que passou nos Estados Unidos, quando estudou com o papa mundial da fotomedicina e desenvolveu uma série de pesquisas no assunto. Sua startup recebeu aceleração da Startup Farm em 2015 e hoje está sendo incubada dentro do CIETEC, o centro da USP (Universidade de São Paulo) para o apoio ao empreendedorismo e à inovação em tecnologia.

Thays Bittar/Reserva

O “curativo” é conectado a um aparelho que emite as doses certas de luz para cada problema. E essa é a revolução da Bright. “A gente criou uma forma de personalizar e quantificar a dose de luz para cada tipo de doença e paciente, algo que não era possível”, explica. Mais ou menos como se os médicos tivessem nas mãos um analgésico, mas não conhecessem exatamente a dose certa para cada doença ou para cada pessoa. Sem a bula na mão, poderiam acertar ou matar o paciente por falta de conhecimento. O Light-Aid é como se fosse a bula para os tratamentos à base de luz. “Agora, a fotobiomodulação se torna algo que pode ser prescrito por qualquer médico que tiver acesso ao funcionamento do aparelho”, diz. O controle da dose é feito pelo profissional de saúde via aplicativo.

Marcelo descobriu, em seus estudos, como e quanto de luz usar em cada tratamento para que ele seja eficiente. Antes, isso dependia de uma larga experiência do terapeuta – e mesmo assim nem sempre o sucesso era garantido. Além disso, cada sessão hoje dura apenas 5 minutos, contra 1h30 nos tratamentos convencionais pois o “curativo” cobre a área completa, em 360 graus (pulso, joelho, cabeça etc, ficam envolvidos com o dispositivo). Em menos de 6 meses, foram 150 pacientes tratados pelo novo método. Outra vantagem é que o valor das sessões cai pela metade e os resultados aparecem algumas horas depois da primeira dose, algo que antes demorava algumas sessões.

No modelo de negócios da empresa, o aparelho é compartilhado com os hospitais e clínicas. A cada 10 sessões, que custam R$ 2500 (o pacote), R$ 1900 ficam para o terapeuta ou para o estabelecimento e R$ 600 vão para a Bright. “Estamos falando de pessoas que chegam a gastar R$ 2500 por mês durante boa parte da vida para aliviar dores que impedem de viver normalmente, então a mudança é brusca pois esse gasto vai se reduzir com a eficiência do Light Aid”, explica Marcelo. A ideia é que, com a multiplicação dos aparelhos, o preço caia. Em 2019, já devem ser 50 deles em operação, atendendo uma dezena de pacientes em 60 minutos. E esse espectro deve ser escalado porque há oportunidades internacionais. ”Recebemos convite da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para participar de um convênio no tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e de neuropsiquiatria”.

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