Ricardo Gravina, da Climate Ventures: “agora é hora de investir em negócios verdes”

Um dia, logo depois de voltar de uma temporada na Nova Zelândia, ainda com 20 anos, Ricardo Gravina teve uma experiência que mudou seu jeito de ver o mundo. E que influenciaria sua trajetória profissional anos depois. Recém-formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele se lembra de entrar no carro e, antes de ligar o motor, ouvir alguém batendo em sua janela. Era um morador de rua pedindo dinheiro. “Senti vergonha”, lembra. Ele caiu no choro e se deu conta que, antes de sair do país, nunca tinha tido a sensibilidade de olhar os mais pobres daquele jeito. “Decidi que tinha que para fazer algo para mudar aquela situação e que queria ter um trabalho útil”, conta. Vinte anos depois desse insight, Ricardo e seu sócio, Daniel Contrucci, fundaram a Climate Ventures, uma plataforma de inovação para apoiar ideias e empresas que atuem em prol do clima.

Quase uma década se passou até que Ricardo fosse atrás do chamado que veio na forma das batidinhas no vidro de seu carro. Ele ainda fez uma carreira em empresas tradicionais mas, como costuma dizer, era um trabalho “sem coração”. Atuou na área de vendas até que veio a ideia de fundar a Aoka, já ao lado de Daniel, há mais de 10 anos, uma consultoria para inovação e desenvolvimento de lideranças em negócios sociais. A Aoka conquistou espaço e deu aos sócios um imenso capital social que usaram na hora de empreender novamente. “Construímos uma rede que nos ajudou a colocar de pé a Climate”.

Foto: JP Faria / Reserva

Foi uma década de batalha até que a Aoka gerasse esse filhote. Ou spin off, como Ricardo define o empreendimento que une os diversos setores da sociedade e que tem o intuito de diminuir as mudanças climáticas no planeta. “Nunca houve tanto dinheiro disponível para investimento em negócios verdes, queremos aproveitar esse momento”.

Resolver problemas ambientais está intimamente ligado ao bem-estar social, já que as mudanças de clima terão influência drástica sobre a vida dos mais empobrecidos. “Há fundos internacionais ‘esperando’ para investir”, diz. O tipo de negócio que esses investidores buscam são, principalmente, aqueles que nascem com o propósito da preservação embrenhado em sua atuação. “A YVY, um dos finalistas do nosso prêmio, é uma delas: produtos de limpeza que não usam derivados de petróleo e, por serem concentrados, reduzem os gastos com emissão de carbono no transporte”, diz. Esse prêmio a que Ricardo se refere é uma chamada de negócios verdes e tecnologia limpa é feita em conjunto com a ClimateLauchpad, a maior competição mundial da área, e envolve incentivo e consultoria a esses negócios, além da participação na final da competição, que aconteceu no início do mês em Edimburgo.

A equipe da Climate atua em algumas frentes: um laboratório de inovação em que reúne OnGs, negócios de impacto, estudiosos e empresas que possam ajudar a barrar, ainda que seja em pequenos passos, o desmatamento e a escalada da emissão de carbono. Chamadas para investimento em startups de impacto ambiental e consultoria a empresas que queiram voltar sua atuação para solucionar problemas ligados ao clima. E, no próximo dia 22 de novembro, eles irão realizar um encontro para incentivar as trocas entre todos os membros dessa comunidade. Um grupo de gente empenhado em salvar o planeta, sim, mas não sem o olhar para os negócios e para a sustentabilidade econômica.

 

 

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Agradecimentos ao Sesc Pinheiros

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