Gustavo Vaz, da EmCasa: foco é dizer “não” até para bons negócios

A EmCasa começou a vida com um objetivo quase emocional. Ao lançar suas operações no final do ano passado no Rio de Janeiro, eles queriam transformar a maneira como as pessoas compram e vendem suas casas em algo menos estressante. “Em média, o brasileiro participa de 1,5 transação desse tipo ao longo da vida, é muita tensão envolvida, principalmente porque ele não costuma ter a assessoria adequada”, diz Gustavo Vaz, CEO da EmCasa, uma imobiliária virtual que há um ano atua na Zona Sul fluminense e acaba de aportar em São Paulo. Com um investimento inicial de US$ 1 milhão para dar seus primeiros passos, saiu de 20 anúncios para 700 nesse período.

Por falta de assessoria adequada, Gustavo se refere à maneira como os corretores de imóveis atuam hoje. “Eles fazem de tudo na empresa. Têm que ser advogados para entender de documentação, marketeiros para fazer ótimos anúncios, e ainda atingir metas de venda sem ter ganhos fixo para os momentos difíceis”, avalia. Assim, a EmCasa colocou seus vendedores focados apenas na venda e criou equipes e ferramentas para resolver os problemas que orbitam em torno dessa transação. Gustavo aprendeu muito durante seus três anos na Easy Taxi, em que foi diretor de operações e aproveitou seu mestrado em Harvard para colocar de pé a EmCasa. Aos 30 anos, ele já tem bastante para ensinar.

Fotos: JP Faria/Reserva

Foco obsessivo

“Foco é uma questão essencial pra mim. Temos que dizer não a propostas incríveis e até lucrativas porque precisamos focar. A gente se propôs a entregar excelência em compra e venda de imóveis na zona sul do Rio até agora, então é para isso que iremos trabalhar. Nesse momento, se tiver gente com um ótimo negócio na Tijuca, vamos ter que negar. Me corta o coração quando alguém aparece com propostas assim, mas precisamos nos concentrar obsessivamente em nosso objetivo.”

Tecnologia traz transparência

“O mercado brasileiro sofre com a falta de dados. As pessoas não sabem exatamente quanto valem seus imóveis. Por isso criamos algoritmos de avaliação e de recomendação de casas para os diferentes perfis de compradores. Tecnologia é importante para dar transparência e eficiência ao negócio. Fizemos os tours virtuais pelas casas, assim as pessoas não precisam visitar dezenas de imóveis antes de escolherem os que mais curtiram. Elas podem ‘passear’ por 30 e visitar, de fato, apenas 5. É um jeito de saber exatamente o que você vai encontrar sem ter que ir até o local.”

Excelência inspira

“A gente se inspirou muito na Amazon na hora de criar a empresa. Um dos maiores objetivos da Amazon não era ser a maior empresa de e-commerce, mas conseguir que o cliente fique satisfeito com o serviço sempre. Nossa mentalidade é que 100% dos clientes precisam estar satisfeitos depois que eles usam a EmCasa. Há algum tempo, uma compradora ficou chateada porque o antigo dono da casa levou a porta da frente quando saiu. A gente substituiu essa porta imediatamente e arcou com os custos porque queríamos vê-la feliz.”

Gente boa

“Hoje dedico uma grande parte do meu tempo a contratar gente que leve o negócio adiante, gente que vai me ajudar a conduzir com autonomia. Para cada pessoa que trazemos, analisamos cerca de 300 currículos e chego a entrevistar 10 candidatos até chegar no que acho ideal. Isso vai me poupar muito tempo mais adiante, quando a empresa estiver em mais lugares e com muito mais transações acontecendo. Posso focar nas coisas que realmente cabem a mim resolver.”

Trabalhe a cultura

“Você pode ter pessoas excelentes, mas precisa que elas se encaixem e abracem a cultura da empresa. Desde o primeiro momento, a gente acredita em flexibilidade de trabalho e em autonomia. Desde o estagiário ao diretor comercial, as pessoas podem trabalhar remotamente em parte do tempo – pois usamos ótimas ferramentas para isso -, e têm espaço para implementar suas ideias. A cada três meses, passamos uma semana juntos. Vem gente do Rio, São Paulo, Joinville, Belo Horizonte e Maringá e trabalha no mesmo espaço. Isso ajuda a criar o clima de camaradagem que falta quando não estamos perto todos os dias. O empreendedor tem que estar atento aos valores e à cultura que está implantando ou vai ter pessoas andando para lados opostos, o que é muito contraproducente.”

Circule, circule, circule

“Estou sempre encontrando outros donos de empresas. Agora, acabei de sair do Facebook Tech Week. Acho que é muito importante conversar com gente, ouvir outros empreendedores, falar com investidores. Saber que tem gente que passa pelos menos problemas evita que você cometa erros bobos. E custa apenas uma conversa.”

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