Felipe Matos, 10 Mil Startups: apaixone-se pelo problema, não pelo produto

Felipe Matos tem 35 anos, mas parece que já viveu um século. Hoje, ele é Head de Ecossistema de Startups da InLoco, empresa que criou uma plataforma de geolocalização com tecnologia 30 vezes mais rápida que o GPS. “Eu aproximo a empresa de outras startups para entender como nosso serviço pode ajudá-las, crio uma rede de parceiros”, diz. Mas, dos 12 anos até agora, fez tanta coisa que fica difícil colocar em um parágrafo. Nessa idade começou a programar, usando o computador de um primo. Aos 16 anos criou o primeiro aplicativo móvel do Brasil e, ainda na faculdade, montou uma aceleradora de empresas, o Instituto Inovação. Virou gestor de um fundo do BNDES, o Criatech, para investimento em empresas digitais.

Depois, fundou ainda a Startup Farm, que hoje é a principal aceleradora da América Latina, e foi diretor do programa Startup Brasil, do Ministério da Ciência e Tecnologia. Sem contar as empresas em que atua como investidor-anjo e outras atividades sociais, como a Dinamo, uma organização que trabalha por melhores políticas públicas para que startups sobrevivam na América Latina. No ano passado, toda essa experiência ele reuniu no livro 10 Mil Startups, o número de empresas que ele teve contato e orientou em seus anos de aceleradoras e fundos de investimento. Aqui, ele conta o que viu em sua carreira – e que pode ajudar quem está empreendendo.

Fotos: JP Faria / Reserva

Busque o equilíbrio

“Circular em outros ambientes, outras empresas, eventos, entre os consumidores e conhecer tendências, é muito rico para quem administra uma empresa. Eu acho que a vida do empreendedor precisa ser como um 8, como aquele símbolo do infinito, sabe? Indo para fora, entendendo o mundo, indo para dentro de casa e tentando digerir essa informação. Criar soluções em cima dessas observações e levando de volta para o mundo lá fora. É um equilíbrio difícil mesmo, sair, ver o que há lá fora, voltar para criar algo que vai novamente para o mundo.”

Você não está sozinho

“É cada vez menos o esforço individual que constrói o sucesso. Principalmente no mundo digital, estamos cada vez menos sozinhos e essa visão sistêmica é importante. As empresas que estão no começo só conseguem ir adiante porque conseguem capital de investidores externos, porque conseguem acessar os serviços de computação em nuvem, que antes eram muito caros… Por isso a visão de ecossistema é fundamental. Se você entender os diferentes agentes desse mundo, você vai saber como circular para fazer sua empresa dar certo.”

Gente é mais importante

“Empreender tem tudo a ver com pessoas. Quando você está começando, você não tem produto, não tem capital, ativos ou clientes. É você e sua equipe. Montar um time complementar, que tenha capacidade de execução é essencial. Não pode ter só gente técnica ou só gente de negócios. Pense em quem vai criar, quem vai executar, quem vai vender e quem administra. Aos poucos, traga pessoas que se complementem.”

Apaixone-se pelo problema

“Quem cria um produto ou serviço é igual pai e mãe, fica apaixonado por aquilo, acha que é o mais lindo do mundo. Mas em vez de amar o produto, precisamos nos apaixonar o problema que ele resolver. O que o mercado precisa? Temos que validar esse produto o tempo todo com o mercado que vai consumir nossa criação, mesmo que isso mude a ideia inicial.”

Investimento vem com o sucesso

Buscar investimento muitas vezes é uma obsessão, mas temos que pensar em investimento como meio, não como fim. O melhor jeito para conseguir dinheiro de fora é fazer sucesso em primeiro lugar. A busca tem que ser o negócio crescer, ter um bom produto e aí sim chamar a atenção dos investidores. Buscar investimento para fazer alguma coisa não é o caminho. Faça, ponha na rua e, se o seu negócio for bem, vai atrair quem procura startups para investir.”

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