Fernand Alphen, da LUA: começar de novo, mas com novo olhar

O publicitário Fernand Alphen trabalhou a vida toda em agências de propaganda. A primeira delas foi também sua primeira experiência como empreendedor. Depois de oito anos no negócio, já aos 30 anos e um pouco traumatizado com a dissolução da sociedade anterior, preferiu entrar em agências já estabelecidas. Passou anos na F/Nazca Saatchi & Saatchi e outros tantos na Thompson. “Tinha um emprego estável, construído com uma carreira sólida, ocupando posições de prestígio. Mas comecei a sentir que faltava algo”.

Fotos: JP Faria / Reserva

Foi um de seus antigos clientes e agora amigo que veio o empurrão para voltar ao empreendedorismo. Marcos de Moraes (ex-Zip.net e Sagatiba) o procurou há dois anos e meio para contar sobre sua nova ideia: uma plataforma que permitisse que qualquer pessoa monte seu próprio e-commerce usando produtos que eles disponibilizariam. A LUA (Lua.net) funciona assim: o usuário se cadastra e escolhe, entre os produtos que estão disponíveis, quais colocar em sua lojinha, e passa a divulgar em suas redes sociais o que ele vende. Tem maquiagem Vult, produtos licenciados por Luan Santana, cuecas Zorba e por aí vai. “Quem monta a loja ganha uma porcentagem com cada venda, e as marcas conseguem, além da venda, a publicidade gratuita”, explica Fernand. Aqui, ele conta o que aprendeu ao longo dessa carreira e com o novo empreendimento.

Experiência conta

“É muito diferente empreender aos 22 e aos 54 anos. Na primeira vez, eu tinha pouca maturidade de vida e na profissão. Só sabia da teoria. Se eu soubesse das dificuldades que viriam, talvez não tivesse tomado essa decisão. Agora, aos 54, com o nível de experiência que eu tenho, esse é um processo menos doloroso.

“Agora, aos 54, com o nível de experiência que tenho, esse e um processo menos doloroso. Como sempre atuei na área de estratégia, tenho conhecimento de dezenas de categorias de negócios diferentes e me sinto mais apto para contribuir.”

Recicle o aprendizado

“Apesar de não ser um trabalho como publicitário, a Lua.net tem muito a ver com a minha profissão de origem porque, na outra ponta do negócio, existem milhares de marcas e empresas produzindo o que as pessoas vão vender. Essas marcas podem estar com alguma dificuldade de crescer por falta de um canal de distribuição, força de vendas e até publicidade. A LUA é uma maneira de colocar em contato o produtor com a força de vendas. E uma rede de pessoas treinadas, com energia e vontade de vender dispensa até o investimento em comunicação, porque elas mesmas se encarregam de fazer isso por você.”

Não é para todo mundo

“Empreender não é uma profissão, é uma forma de escolher o que fazer: se você tem talento para decoração e resolve empreender em uma oficina mecânica, as chances de dar errado são altas. Tem gente que faz essas mudanças, porque ‘ah, é um bom negócio’, mas empreender é a mesma coisa que escolher uma carreira no vestibular baseado no mercado de trabalho. Você tem que pensar como um vestibulando e procurar aquilo que você tem capacidade e afinidade”. ”

Não pare nunca

“O lançamento da plataforma para o público foi em outubro no ano passado. Desde então, temos 1 milhão de downloads do app e 100 mil lojas ativas. Já fizemos uma mudança e, agora vamos lançar a terceira versão. Acho que nunca vamos parar de atualizar porque nunca vamos ter o serviço perfeito. Sabemos que sempre haverá onde melhorar. Pense que 15 ou 20 anos atrás – e nem é tanto tempo assim – não havia Facebook, Amazon, Google. Acho que, talvez, em 10 anos, eu ache que o que estou fazendo hoje é primitivo. Por isso é necessário estar sempre na frente.”

Comece por baixo

“É importante ter uma missão que funcione como uma lanterna. Muitas vezes você tem uma ótima ideia mas não sabe para onde vai com ela. Você tem que saber que aquilo que você vai colocar em prática na data zero é muito pouco diante do que você vai alcançar no futuro. Muitas pessoas encontram dificuldade nisso: no protótipo, que é feio, ruim e que está muito longe daquilo que havia sido imaginado. Muitas pessoas acabam parando por aí, porque não querem nem colocar no ar. Mas precisa colocar, porque só a partir desse primeiro passo você consegue definir os próximos”

Tenha fé

“Se você está pensando em entrar em um negócio, tem que ter fé. Porque posso garantir que haverá muito problemas, muita provação, muita coisa que não vai dar certo, muita tentação. A única forma de continuar é acreditando no seu negócio. E esse tipo de fé precisa ser construído e cultivado para contagiar as pessoas que vão trabalhar com você. Se nem você acredita, como espera que outros façam isso? É fácil perceber isso, vendo o trabalho que algumas empresas têm para conseguir atrair os talentos. Um jovem de 20 e poucos anos, recém-formado, não está interessado em plano de carreira das companhias, ele quer ter uma outra relação, ele quer fazer parte de algo maior. Eu passei a minha vida ajudando a construir posicionamento de marca e algumas centenas de vezes, via que o DNA que estávamos tentando identificar da companhia era falso, só uma construção. E isso é fácil de perceber, era só falar com as pessoas sobre a empresa e perceber como faltava, justamente, a tal da fé.”

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