Marcelo Cardoso, da Chie: “Autoconhecimento traz integridade. O resultado é consequência.”

A decisão de carreira do Marcelo Cardoso, fundador e CEO da consultoria organizacional Chie, se mistura com sua história de vida. Nascido em uma família humilde, ele começou a trabalhar com 14 anos. E, desde então, encontrou pessoas que atuaram como mentores e estavam dispostas a abrir as portas que pareciam mais emperradas. Quando chegou ao topo e se tornou um executivo de sucesso -ele passou pela presidência do Hopi Hari, da LHH DBM e pela vice-presidência da Natura e do Grupo Fleury – percebeu que muitas das pessoas com baixa produtividade no trabalho tinham traços em comum. Uniam falta de perspectiva de carreira e a baixa autoestima. Resolveu que se dedicaria a mudar esse quadro e assim fundou a empresa. “Existe um nível de frustração muito alto em pessoas que não conseguem conceber um futuro diferente para elas mesmas e isso é ainda maior entre os jovens”.

A Chie atua para que os recursos humenos sejam de fato desenvolvidos nas organizações. “Quando se trabalha em uma companhia, a maior parte das pessoas tenta representar um papel. Ou porque não pode ou porque não querem ser elas mesmas”, diz. Essa postura, concluiu, faz com que se frustrem e tenham relações superficiais. A Chie ajuda profissionais a darem significado à vida e direcionar a sua jornada para isso e a trazer melhor desempenho para os negócios e mais valor para o mundo. “O resultado desse processo são empresas mais maduras e que trazem resultados positivos para a sociedade”.

Fotos: JP Faria / Reserva

“Encontrar significado na vida talvez seja a coisa mais importante a se fazer. Você faz esse processo de autoconhecimento não para dar mais resultados ou ser mais produtivo, mas para ter integridade. Depois disso, o resultado é consequência”.

Neste ano, Marcelo foi além e passou a desenvolver um trabalho social: um projeto-piloto com 29 jovens de baixa renda, de 16 a 25 anos, composto em 65% de mulheres (um terço delas são mães). Quase todos conviveram com a ausência de um ou dos dois pais na infância. “São pessoas que já conhecem e vivem os desafios da exclusão, da falta de acesso e desenvolveram suas próprias estratégias de sobrevivência. Mas são também brasileiros muito talentosos, cheios de capacidade”.

Para esses jovens, o executivo atuou da mesma forma como seus mentores do passado: resgatando a autoestima e abrindo portas. “Depois que eles avaliaram as suas habilidades ganharam poder para desenhar os próprios planos de vida, ajudamos no desenvolvimento dos planos de ação”, diz. Uma das jovens que fez parte do projeto, por exemplo, queria estudar medicina, outra teatro, outros música, outros queriam empreender ou entrar no mercado de trabalho. “Fizemos parcerias, buscamos bolsas de estudo, encontramos meios de construir os sonhos deles junto com eles”, conta.

A diferença entre os jovens que começaram o projeto e a forma como saíram está presente até nos olhares: antes, eles mal conseguiam olhar no olho de outras pessoas. Agora, apropriados da própria história e das próprias escolhas, até a forma de falar muda. Depois de seis meses desse projeto inicial, a ideia agora é escalar e levar essa possibilidade para todos que precisem dela. “Atuo nas empresas da mesma forma como nesse projeto-piloto e sempre centrado na ideia que o nosso processo pessoal de autoconhecimento é o que direciona a qualidade das intervenções no sistema”, afirma. Para ele, muitas empresas estão focadas em mudar processos, políticas e treinamentos técnicos, mas isso não é garantia de melhora nas relações das pessoas. “O principal combustível para uma pessoa é a autoestima. Sem isso, você pode colocar as ferramentas que for nas mãos dela que não vai adiantar”.

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